Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 27/10/2022
No século XX, nasce nos EUA o “fast-food”, uma nova modalidade de alimentação, caracterizada pela sua rapidez no preparo. Contudo, ela impactou também a sociedade brasileira, ao aumentar exponencialmente o peso dos seus consumidores. Nesse sentido, o debate acerca do sobrepeso, bem como da gordofobia, é atual e tem como causas: individualismo e falha estatal.
Sob primeira análise, nota-se que o traço individualista contribui fortemente para o estigma da gordofobia. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, o mal da sociedade pós-moderna é o individualismo, cada vez mais tem-se maior preocupação consigo mesmo e, por consequência, maior dificuldade em colocar-se no lugar do próximo. Nesse viés, o autor explica o fenômeno da incapacidade de praticar empatia com os corpos diferentes. Desse modo, a prática contribui para essa infeliz fobia que demonstra-se preocupante, pelo fato de a população de tamanho maior apresentar dificuldades não só de saúde física, mas também emocional, pois sentem-se excluídas e inferiorizadas.
Ademais, sabe-se que cabe ao Estado fornecer ferramentas mínimas de saúde à população. De acordo com a Lei Orgânica do SUS, o Estado deve não só cuidar da doença, mas também promover meios de autonomia ao cidadão, para evitar o adoecimento, isso chama-se cuidado integrado. Então, a informação, por sua vez, é ferramenta promotora e a falha estatal, nessa esfera, é percebida, pois, a desinformação agrava o sobrepeso e por conseguinte, gera novos casos de gordofobia. Logo, o bem estar físico está ligado ao emocional e ambos não podem ser negligenciados, é inaceitável que a problemática esteja associada à falta de informação e autonomia na atualidade.
Portanto, o debate sobre a gordofobia deve ser realizado no Brasil com urgência. Por isso, a mídia deve criar canais de informação à população, por meio de propagandas em televisão e mídias digitais, a fim de orientar a população sobre os riscos do sobrepeso, com foco na autonomia, para que as pessoas possam cuidar melhor dos seus corpos. Também, as escolas devem criar oficinas de desenvolvimento de habilidades socioemocionais, visando minimizar o mal pós-moderno de Bauman.