Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 31/10/2022

Na produção mexicana “Rebeldes”, Celina é uma adolescente que sofre com a gordofobia, tanto por parte da família, quanto de colegas, e acaba desenvolvendo sérios distúrbios alimentares e fobias sociais. A narrativa demonstra as consequências devastadoras desse tipo de preconceito, o qual afeta a população brasileira e deve, portanto, ser amplamente debatido, com ênfase na influência midiática e na propagação do prolema em uma sociedade preconceituosa.

Primeiramente, é fundamental destacar a contribuição da mídia para o problema em questão. Segundo Theodor Adorno, filósofo da escola de Frankfurt, a classe dominate manipula os meios midiáticos, a fim de impor uma ideologia que sustente a dominação. Nesse sentido, as mídias atuais, como emissoras televisivas e plataformas de streaming, divulgam um padrão de beleza em suas produções, o qual foi estabelecido por grandes marcas da moda, com o intuito de vender produtos relacionados à beleza. Esse padrão, que ignora questões de saúde do corpo e da mente, serve de alicerce para comportamentos gordofóbicos e, por conta disso, deve ser desconstruído em prol da inclusão social.

Em segunda análise, é importante esclarecer que o preconceito existe desde outras épocas. Assim, pode-se constatar que ele foi – e ainda o é – repassado de uma geração à outra. Sobre isso, a filósofa Hanna Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, argumenta que atitudes preconceituosas passam a ser feitas inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser comparado à gordofobia no Brasil. Diante disso, é preciso desestimular esse pensamento equivocado por meio de políticas sociais inclusivas.

Fica evidente, portanto, a necessidade de alternativas para amenizar o impasse em discussão. Para isso, os canais de comunicação, como as mídias televisivas e as redes sociais devem substituir a padronização por uma visão mais abrangente de beleza, capaz de incluir a diversidade de corpos presentes na espécie humana. Isso seria possível por meio de produções que incluíssem protagonistas com corpos fora do padrão e teria por finalidade estabelecer a representatividade dessas pessoas, permitindo uma revolução positiva no conceito de beleza. Dessa forma, o Brasil poderia, finalmente, superar a abjeta prática da gordofobia.