Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 01/11/2022
No século XX, nasceu nos EUA o “fast-food”, uma nova modalidade de alimentação caracterizada pela sua rapidez no preparo. Contudo, ela impactou também a sociedade brasileira, pois aumentou exponencialmente o peso dos seus consumidores. Nesse sentido, o debate acerca do sobrepeso, bem como da gordofobia, é atual e tem como causas: individualismo e falha estatal.
Sob primeira análise, nota-se que o traço individualista contribui fortemente para o estigma da gordofobia. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, o mal da sociedade pós-moderna é o individualismo, porque a preocupação consigo é tão grande que dificulta a prática de colocar-se no lugar do outro. Nesse viés, o autor explica o fenômeno da falta de empatia com corpos diferentes e ela é um fator desencadeante de gordofobia, ou seja, não aceitar o tamanho corporal fora do padrão. Desse modo, é preocupante que a sociedade também seja responsável pela exclusão e inferiorização de uma parcela da população somente por serem fora do considerado padrão, isso gera sérios danos a eles, levando-os a outros obstáculos sérios, como o adoecimento psíquico.
Ademais, sabe-se que cabe ao Estado fornecer ferramentas mínimas de saúde à população. De acordo com a Lei Orgânica do SUS, o Estado deve não só cuidar da doença, mas também promover meios de autonomia ao cidadão, para evitar o adoecimento, isso chama-se cuidado integrado. Então, a informação é ferramenta promotora e a falha estatal, nessa esfera, é percebida, pois a desinformação agrava o sobrepeso e gera novos casos de gordofobia. Logo, o bem-estar físico está ligado ao emocional e ambos não podem ser negligenciados. Outrossim, é inaceitável que a problemática esteja associada à falta de informação e autonomia na atualidade.
Portanto, o debate sobre gordofobia deve ser realizado no Brasil com urgência. Por isso, a mídia deve criar canais de informação à população, por meio de propagandas em televisão e mídias digitais, a fim de orientar a população sobre os riscos do sobrepeso, com foco na autonomia, para que elas possam cuidar melhor dos seus corpos. Também, as escolas devem criar oficinas de desenvolvimento de habilidade socioemocionais, visando minimizar o mal pós-moderno de Bauman.