Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 02/11/2022

A Constituição federal de 1988 - documento jurídico mais importante do país - prevê em seu 1º artigo a dignidade a pessoa humana. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a questão da gordofobia no Brasil, prejudicando, desse modo, as relações e convivências dentro do corpo social. Diante disso, é preciso reverter esse cenário, o qual é motivado pelo silenciamento de discursos e insuficiência estatal.

Em primeira análise, é importante ressaltar a carência de debates acerca da gordofobia no país. Em vista disso, segundo o sociólogo Karl Marx, em sua teoria do “Silenciamento de discursos”, alguns temas são omitidos pela sociedade, a fim de ocultar as mazelas sociais. Sob esse viés, a visão do autor pode ser aplicada quanto à falta de discussões sobre a gordofobia no cenário político social que, consequentemente, resulta em uma sociedade insegura, intolerante e alienada a um padrão corporal intangível.

Além disso, o Estado está ficando cada vez mais obsoleto, revelando, inclusive, a incompetência de agentes governamentais em estabelecer estratégias para combater o preconceito contra pessoas gordas. Sob essa ótica, o filósofo Zygmunt Bauman criou a expressão “Instituições zumbis”, a qual diz respeito ao fato de que algumas instituições, como o Estado, estão perdendo sua função social. Dessa maneira, tal perspectiva se aplica no contexto atual, já que o poder público, ao não utilizar mecanismos para combater os promotores do discurso de ódio no cenário atual, compromete com o bem-estar da população.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo - responsável pelo bem-estar social - invista em novos decretos, por meio da criação de novas leis que criminalizem a gordofobia, impossibilitando, desta forma, a persistência do discurso de ódio contra as pessoas gordas, a fim de construir uma sociedade menos opressora.