Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 05/11/2022

Na obra “utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada a história de uma sociedade perfeita, no qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Fora da ficção, percebe-se que na atual sociedade brasileira, a questão da gordofobia vem se agravando de forma alarmante. Isso se evidencia devido a negligência estatal e ao silenciamento do tema.

Sob esse viés analítico, é importante destacar a princípio que a inoperância estatal é um fator preponderante para a ocorrência dessa problemática. Desse modo, segundo o contratualista Jonh Locke, existe um contrato social que garante a dignidade e a proteção do indivíduo, e quando o básico não é garantido, há uma quebra desse contrato. Essa ruptura explicitamente acontece quando segundo a filósofa e ativista Malu Jimenez, o estado falha em proporcionar acessibilidade para pessoas gordas, o que tira o direito das mesmas a terem acesso a serviços públicos e privados. Dessa forma, é possível observar esse problema estrutural, por exemplo, na falta de roupas para corpos gordos em lojas, não ter maca adequada ou manguito para aferir a pressão nos hospitais, dificuldade para usar meios de transporte, como ônibus e aviões, por não ter assentos que acomodem de forma confortável pessoas que fazem parte desse grupo marginalizado. Portanto, medidas precisam ser tomadas para reverter essa situação.

Ademais, a carência de discussões agravadas pela falta de informação contribuem para a perpetuação do problema no país. Nesse sentido, segundo o sociólogo Karl Marx, em sua teoria “Silenciamento dos Discursos”, alguns temas são omitidos na sociedade para ocultar os problemas sociais. Partindo disso, na sociedade brasileira contemporânea, essa tese se confirma uma vez que pouco se discute sobre o assunto, nos canais midiáticos e nas escolas. Dessa forma, devido à falta de visibilidade dada a questão, a problemática se mantém no Brasil.