Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 08/11/2022

Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo assegura dignidade humana a todos. Entretanto, pessoas com excesso de peso não vivenciam o direito constitucional na prática, o que gera um grave problema: a gordofobia, preconceito contra a minoria anteriomente citada. Com efeito, para solucionar o impasse, há de se combater a invisibilidade social e a omissão estatal.

Diante desse cenário, a indiferença da sociedade afeta esse grupo marginalizado. Nesse viés, Simone de Beauvoir -expoente filósofa francessa- disserta que existe um apagamento crônico das minorias, que são tornadas irrelevantes no cotidiano. Essa invisibilidade prejudica as pessoas acima do peso, na medida em que banaliza a inferioridade, o bullying e o isolamento social que acomete tal grupo. Assim, não é razoável que, embora objetive ser nação desenvolvida, o Brasil ainda conviva com a asusência de medidas que combatam a gordofobia.

Ademais, Noberto Bobbio, em sua obra “Dicionário de política”, entendia que as autoridades públicas devem não apenas ofertar os benefícios da lei, mas também garantir que a população usufrua deles na prática. Ocorre que, no Brasil, a ideologia do filósofo não é experimentada por quem possui excesso de peso, já que, mesmo com a previsão legal da garantia de digidade humana, esse grupo marginalizado sofre preconceitos no ambiente escolar, no mercado de trabalho e no cotidiano. Inclusive, desenvolvem transtornos psicológicos como ansiedade e depressão por serem considerados pessoas sem beleza, que fogem do padrão do considerado belo na atualidade. Desse modo, a insuficiência de políticas públicas torna a dignidade uma utopia na vida da minoria em questão.

Portanto, para garantir os benefícios constitucionais previstos em 1988, o Ministério Público -órgão responsável pela garantia da dignidade humana das minorias- deve dar visibilidade social as pessoas acima do peso, através da realização de políticas públicas, como a criação e inserção de propagandas nos meios de comunicação (redes sociais, televisão) e palestras nas escolas que alertem sobre as consequências deletérias da gordofobia, como a decorrência de transtornos psicológicos. Essa iniciativa terá a finalidade de mobilizar o Estado na efetividade da dignidade das pessoas com excesso de peso. Dessa forma, a invisibilidade denunciada por Simone Beauvoir deixará de ser realidade no País.