Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 05/11/2022

Em outubro de 1988, o Brasil conheceu um dos documentos mais importantes da história da nação: a Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país, cujo conteúdo prevê uma sociedade livre, justa e igualitária. Entretanto, os frequentes casos de gordofobia impedem que substencial parcela da população não usufrua desses direitos constitucionais, sobretudo a dignidade. Com efeito, há de se combater o preconceito estrutural e promover a representatividade dessa população.

De início, enquanto a gordofobia for a regra, o respeito será a exceção. Sob essa perspectiva, a discriminação sofrida por pessoas que estão acima do peso é um comportamento enraizado na sociedade. No século IV, após a difusão dos sete pecados capitais, a gula tornou-se um sinônimo de pecado, estigmatizando pessoas acima do peso; na idade média, as pessoas chegavam a jejuar por longos períodos em busca de corpos mais magros - fato que reverbera até os dias atuais, fragilizando a aceitação pessoal. Logo, é imperioso que o cenário supracitado seja revertido.

Outrossim, a representatividade é um caminho para descontrução do comportamento discriminatório. A exemplo disso, a animação da Disney “Reflexo” é a primeira a trazer uma protagonista com sobrepeso, com uma história que aborda autoestima e dismofia corporal. Nesse sentido, é notória a importância da representação dos corpos fora do padrão nas produções artísticas, para naturalizar o corpo acima do peso; e, ainda, quebrar as crenças limitantes desse público e fomentar seu amor-próprio. Portanto, a ampliação da representatividade na mídia faz-se necessária.

Destarte, urge que a problemática seja mitigada no Brasil. Posto isso, cabe às escolas, em parceria com o Ministério da Educação, germinar o respeito à diversidade e a inclusão, promovendo a dignidade, por meio do ensino respeitoso desde as séries iniciais, a fim de reduzir os pensamentos preconceituosos da população. Ademais, compete à Secretaria da Cultura o incentivo à indústria artítica a ampliar a representatividade em suas produções. Desse modo, a realidade prevista na Carta Magna deixará de ser, em breve, uma utopia.