Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 09/11/2022

No filme “Kung Fu Panda”, é retratada a história de Po, um personagem que almejava se tornar um lutador, entretanto, por estar acima do peso, começa a sofrer uma série de preconceitos de seus professores e colegas. Fora da ficção, a realidade hodiernamente é semelhante no que tange a questão da gordofobia no Brasil. Esse cenário antagônico é fruto tanto da existência do culto ao corpo padrão, quanto da banalização dos atos preconceituosos. Desse modo, analisar intrinsecamente as causas dessa problemática é a medida que se faz imediata.

Em primeira análise, é fulcral pontuar o idealismo do corpo padrão como principal promotor do problema. Na música “Garota de Ipanema”, o cantor Tom Jobim presta uma homenagem ao corpo perfeito da modelo brasileira Helô Pinheiro. Nessa lógica, a canção vai de encontro com a realidade brasileira, pois é vinculada uma reprodução do ideal cultural de beleza vigente, privilegiando os padrões corporais de uma modelo e , consequentemente, expressando o viés gordofóbico enraizado na sociedade. Sendo assim, é notório que a existência do culto ao corpo padrão contribui com o aumento da gordofobia no país, uma vez que esse idealismo não alcança todos os cidadãos.

Outrossim, é válido salientar a banalização de atos preconceituosos como impulsionador do impasse. No conceito “Banalidade do Mal”, a filósofa Hannah Arendt afirma que o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, corriqueiro. Nesse sentido, tal teoria pode ser aplicada na questão da gordobia no Brasil, visto que, segundo o G1, mais de 74% das pessoas acima do peso já foram vítimas de comentários itolerantes. Nesse ínterim, é perceptível que a banalização de atos gordofóbicos corroboram para a perpetuação do empecilho.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para resolver o impasse. Dessarte, com o intuito de diminuir a gordofobia na nação, é necessário que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, seja revertido em campanhas de prevenção contra a gordofobia, se utilizando das ferramentas midiáticas, como jornais, TV´s e internet. Somente assim, atenuar-se-á em médio e longo prazo o impacto nocivo do problema, e a sociedade se afastará da realidade retratada em “Kung Fu Panda”.