Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 09/11/2022
Em sua obra “O Cidadão de Papel”, o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein disserta que, embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistentes, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Diante disso, a conjuntura dessa análise configura-se no Brasil atual, haja visto que a gordofobia se faz presente na sociedade. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão da negligência governamental, mas também devido à indiferença social.
A princípio, é imperativo destacar a ausência de medidas governamentais como um dos principais fatores que corroboram o preconceito contra pessoas acima do peso. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis como a igualdade e o bem-estar social. Nesse sentido, o que se verifica, na realidade brasileira, é a falta de campanhas governamentais e midiáticas que fomentem o debate envolto na questão da gordofobia e, por consequência, milhares de indivíduos sofrem com preconceitos que humilham seus corpos. Dessa forma, o papel inerte do Estado permite a desinformação, o que, consequentemente, fere os direitos da população, contribuindo para a manutenção do revés no país.
Outrossim, é igualmente preciso apontar a banalização da problemática em debate como outro fator que contribui para o cenário vigente. Posto isso, de acordo com Simone de Beauvoir, filósofa francesa, mais escandalosa que a existência de uma problemática é o fato de a sociedade se habituar a ela. Sob essa ótica, evidencia-se que existe uma postura passiva da sociedade diante da relevância da gordofobia, de tal modo naturalizando a temática na conjuntura social, o que é perceptível pela falta de engajamento social no que se refere à erradicação desse infortúnio. Por conseguinte, comprometendo a cidadania de muitos brasileiros