Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 10/11/2022

A música “Pretty Hurts”, que em português significa “a beleza machuca”, da cantora Beyoncé, exalta que para uma mulher ser considerada bonita, principalmente em concursos de beleza, ela precisa ser o mais magra possível. Esse pensamento é característico da sociedade brasileira e a gordofobia, preconceito contra aqueles que estão acima do peso e não se encaixam no padrão representado pela música, apresenta-se como uma problemática recorrente. Isso ocorre devido ao padrão estético e ao preconceito ligado à gordura.

Primeiramente, o molde de corpo ideal e mais socialmente aceito faz com que o diferente seja excluído. Nesse sentido, a Indústria Cultural reproduz massivamente um comportamento a fim de influenciar os consumidores a fazerem o mesmo. Assim, a exclusiva reprodução de pessoas magras como protagonistas nas novelas e no cinema gera uma crença de que para conseguir ter sucesso e felicidade é preciso ter o mesmo corpo deles. Logo, esses mesmos corpos se tornam o socialmente ideal e o contrário disso gera aversão, estimulando a gordofobia.

Ademais, os preconceitos enraizados sobre o excesso de peso também promovem a discriminação. Nesse contexto, conforme a teoria da “Banalidade do Mal”, da filósofa Hannah Arendt, os indivíduos não possuem mais a capacidade de perceber e enfrentar as atitudes prejudiciais a outros seres humanos. Desse modo, nota-se que essa teoria caracteriza a sociedade brasileira, que reproduz comentários gordofóbicos, como dizer que uma pessoa é “fofinha” ao invés de usar a palavra “gorda”, sem medir as consequências psicológicas que isso pode causar nas vítimas. Dessa forma, a perpetuação das ofensas é um obstáculo a ser superado para combater a gordofobia.

Portanto, é necessária a mudança do cenário atual. Para isso, a Secretaria da Cultura, órgão responsável pelo desenvolvimento de políticas culturais, deve associar a imagem de pessoas gordas ao sucesso, através do incentivo de filmes e novelas com protagonismos gordo, a fim de mostrar que a felicidade não depende da estética corporal. Além disso, também deve mostrar quais comentários são agressivos, para que a população possa parar de proferi-los. Dessa maneira, pensamentos semelhantes aos apresentados na música da Beyoncé serão extinguidos.