Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 10/11/2022
No contexto da Belle Époque, período marcado pela euforia pós Revolução Industrial, aderiu-se a ideologia dos padrões de maneira a homogeneizar os mecanismos de identificação dos indivíduos e facilitar o interesse das indústrias em ascensão em lucrar a partir deles. De maneira análoga, a homogeneização comportamental dos indivíduos a partir da imposição de padrões intensificou-se manifestando caracteres nocivos para a sociedade, tal como o debate sobre a gordofobia no Brasil– conduta engendrada pela alienação dos indivíduos e pelo interesse empresarial em lucrar a partir dos padrões impostos.
A partir desta análise introdutória, cabe ressaltar a frenesi social em adequar-se aos padrões, dentre eles, os corporais. À vista disso, depreende-se a existência de um culto ao igual em detrimento da valorização da singularidade individual, fenômeno o qual desencadeia mecanismos de repulsão e estranhamento àquilo que destoe dos critérios de aceitação impostos, tal como o ideal do corpo perfeito que não atribui outras denotações senão a magreza absoluta, sendo a gordofobia um dos reflexos da ignorância e da alienação das massas contra o diferente. Neste sentido, consoante ao pensamento crítico de Byung-Chul Han sobre uma “Sociedade do Igual”, na qual configura-se uma incessante tentativa de homogeneização dos indivíduos, delineia-se um comportamento social semelhante ao apontado pelo estudioso, o que justifica a obstinação pelos ideais corporais e o preconceito contra aos que não pertencem à bolha dos iguais.
Outrossim, a busca empresarial pela capitalização dos interesses semelhantes também contribui para a perpetuação do eventual problema. Nesta ótica, cabe dizer, parafraseando Sócrates, que “O belo é útil”, ao analisar-se o caráter aproveitador das grandes indústrias frente as predileções das massas, haja vista a manipulação e persuasão sofrida pelos indivíduos a partir do consumo de produtos visam intensificar a padronização dos interesses, objetivando tornar a sociedade subserviente aos mandos e desmandos empresariais e, com isso, gerar um engrandecimento lucrativo. Desta maneira, tal manipulação contribui para a legitimação dos padrões e, por conseguinte, para a perpetuação do preconceito, -tal como a gordofobia- especialmente contra aos que não se enquadram neles.