Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 10/11/2022
Em sua teoria “A Banalidade do Mal” a filósofa alemã Hannah Arendt defende que o mal está tão presente no cotidiano dos indivíduos, que passa a ser normalizado na sociedade. De forma semelhante, alimentada pela má influência midiática e a falta de suporte governamental, a gordofobia ainda é vista como algo banal no Brasil.
A princípio, é evidente o papel da internet como agente disseminador de informações. Por isso, a cultura de dieta presente na mídia, que glamouriza a magreza e atribui um posto de vilão ao corpo gordo, é a principal responsável pela gordofobia vigente no país. A obra “O Amor é Cego”, grande sucesso dos anos 2000, por exemplo, impõe aos telespectadores a ideia de que pessoas gordas são inferiores às magras e, logo, incapazes de serem amadas. Assim, esse tipo de narrativa influencia a forma com que a população enxerga estes indivíduos e contribui para a persistência da gordofobia na sociedade.
Ademais, assim como defendido pelo filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por promover a segurança e o bem-estar de cada cidadão. Por essa razão, a ausência de uma postura diligente por parte do órgão governamental permite a existência do problema. A falta de leis contra a gordofobia, por exemplo, perpetua o sentimento de impunidade e torna o combate e a repreensão desta prática inalcançáveis. Desse modo, o Estado assume uma posição de passividade diante a questão e falha em cumprir com as responsabilidades governamentais defendidas por Hobbes.
Por fim, é inegável a necessidade de medidas para combater esse mal. Urge ao Governo Federal, por meio do Ministério das Comunicações, responsável pela gestão das redes midiáticas, promover campanhas publicitárias que visem desvilanizar o corpo gordo e abolir a cultura de dieta presente na sociedade, de modo que a gordofobia enraizada possa ser extinguida. Além disso, é necessária, por meio do Poder Legislativo, órgão encarregado por criar e gerenciar leis, a fiscalização e criminalização da gordofobia, para que este ato possa ser reprimido de modo legal. Dessa forma, o mal teorizado por Hannah Arendt poderá deixar de ser banalizado e a gordofobia poderá deixar de ser uma realidade no Brasil.