Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 11/11/2022

Promulgada em 1988, a Constituição Federal (CF) vigente assegura direitos funda- mentais para a democracia e vida digna de seus cidadãos. Porém o debate sobre a gordofobia no Brasil e suas consequências, como o bullying, interferem no sistema harmônico do Estado brasileiro. Dessa forma, para mediar a conjuntura, é impres- cindível enunciar os pilares da adversidade: o fator social e a ineficácia do governo.

Diante desse cenário, é preciso explorar o quesito sociocultural e as suas implica- ções na temática. De acordo com Pierre Bourdieu, “não há democracia efetiva sem um verdadeiro crítico”. Sob tal perspectiva, no Brasil, a passividade na reflexão críti- ca do brasileiro sobre o preconceito afetar a saúde de pessoas consideradas acima do peso, segundo a Sociedade Brasileira de Cirúrgia Bariátrica e Metabólica, destoa do progresso bourdieuseano e, com efeito, forma cidadãos sem interesse em resol- ver a matriz do imbróglio. Consequentemente, essa ausência de autocrítica funcio- na como base para a intensificação das taxas de discriminação, fato que viola, no- vamente, a CF. Destarte, analisar criticamente as relações sociais de um povo é es- sencial para dirimir o revés.

Ademais, convém destacar as falhas estatais. A esse respeito, John Rawls, na teori-a do Pacto Social, enfatizou o Estado como mantenedor do bem-estar coletivo. Contudo, os impactos ao crescimento de buscas por cirurgias plásticas contrastam com o enredo, tendo em vista o índice de pessoas que se consideram inferiores por não estarem dentro do padrão imposto pela sociedade. Com isso, é inadmissível a inoperância das esferas de poder no que tange a mitigação do viés.

Portanto, entende-se que a gordofobia no Brasil é um obstáculo intrínseco de raí- zes culturais e governamentais. Logo, o Ministério das Comunicações, por intermé- dio da coparticipação de programas midiáticos de alta audiência, deve discutir e elucidar o assunto, com o objetivo de mostrar as principais sequelas do problema e, de forma detalhada, esse órgão vai convidar um profissional especializado no as- sunto para apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse discutido. Feitos esses pontos, com a criticidade proposta por Bourdieu e o Pacto Social de Rawls, a sociedade brasileira terá uma vida digna, como prevê a Constituição Federal.