Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 12/11/2022

O filósofo brasileiro Raimundo Texeira Mendes, em 1889, adaptou o lema positivista “Ordem e Progresso” não só para a Bandeira Nacional, mas também para a nação que, no contexto hodierno, enfrenta significativos estorvos para o seu desenvolvimento. Lamentavelmente, entre eles, a gordofobia representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que tal preconceito resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Esse lastimável panorama é reflexo da inoperância estatal e tem como consequência a manutenção da discriminação.

A princípio, há de se constatar o pouco empenho do Poder Público enquanto mantenedora da problemática. Nesse sentido, a infraestrutura pública é um retrato da exclusão de pessoas obesas na sociedade, tendo em vista a utilização de catracas inacessíveis, portarias e entradas que não são pensadas em pessoas gordas, dentre outras questões de mobilidade urbana. Tal conjuntura, conforme o filósofo Jonh Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, pois o Estado não cumpre sua função de garantir o acesso de pessoas obesas na sociedade. Logo, é notório que a negligência estatal perpetua a gordofobia no Brasil.

Por conseguinte, a gordofobia afeta o bem-estar social de pessoas obesas. Posto isso, de acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), realizada em 2022, 85% das pessoas consideradas obesas já presenciaram alguma situação de gordofobia, seja essa no âmbito interpessoal ou com o mundo ao redor. À exemplo disso, muito lugares, como o transporte público, não possuem assentos adequados para pessoas obesas. Sendo assim, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Em suma, são imprescindíveis ações para combater o preconceito contra pessoas gordas. Portanto, a fim de conter a discriminação corporal, cabe ao Poder Público Federal, mais específicamente ao Ministério da Cidadania, criar programas de acessibilidade para a população obesa, por meio de políticas públicas. Paralelamente, é dever de Ministério da Educação fazer campanhas de conscientização contra o preconceito nas escolas.