Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 10/05/2023

A Constituição Federal, de 1988, prevê, em seu artigo 5º, o direito à igualdade co- mo inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não é reverbe-rada na prática, quando se observa o preconceito sofrido pelas pessoas acima do peso e o efeito que esse causa na vida delas, evidenciando, dessa forma, a gordo- fobia. Ante o exposto, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

A princípio, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para comba- ter com efetividade a gordofobia no país, que, por sua vez, aumenta diariamente. Nesse contexto, pode-se mencionar o preconceito como causa principal desse problema, visto que, a sociedade enxerga as pessoas gordas como inferiores e as discriminam tanto em ambientes digitais como na vida cotidiana. Prova disso recai na vida de Thais Carla, influencer brasileira, que mostra o quanto é atacada nas redes sociais apenas por expor seu corpo em postagens. Logo, nota-se que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a igualdade.

Ademais, é fundamental apontar a gordofobia como principal impulsionador da insegurança, sentimento esse que leva as pessoas a recorrem à procedimentos estéticos, que, por muitas vezes, as põe em risco de vida. Diante de tal exposto, nota -se que as cirurgias bariátricas são exemplo da forma mais rápida e perigosa que essas pessoas encontram de se encaixar em um padrão estabelecido pela sociedade. Para ilustrar a gravidade do problema pode-se mencionar que a taxa de mortalidade intra-hopistalar ultrapassa 5 mil pacientes operados pelo SUS em todo Brasil. Logo é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso é imprescindível que o Estado, por intermédio do sistema legislativo, desenvol- va leis que tornem a gordofobia um crime, a fim de punir aqueles que a cometem tornando o ambiente social mais igualitário, respeitando as diferenças de cada um. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.