Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 07/10/2023

O filme ‘‘O amor é cego’’ mostra cenas em que Hall, personagem principal, olha para a mulher obesa com quem se relaciona e a idealiza em um corpo ‘‘perfeito’’. Fora das telas, isso se faz real, com homens e mulheres, no fato de que há o repúdio ao corpo gordo e a glamurização dos corpos magros, colocando esses últimos como o ‘‘padrão’’ a ser seguido. Nesse contexto, urge o debate sobre a gordofobia no país, buscando entender como a influência midiática e a banalização do preconceito corroboram essa conjuntura, a fim de combatê-la.

Em primeira análise, sabe-se que a mídia é o principal agente na construção do imaginário das gerações, as quais, são impactadas pelas obras de cinema. Nesse sentido, o sociólogo Pierre Bourdieu acreditava que as visões sociais são determinadas por essas agências. Fato esse, observado ao passo que os corpos ‘‘hollywoodianos’’ são impostos por esses veículos e aceitos como o ‘‘físico ideal’’ pelos cidadãos, propagando, assim, preconceito e estereótipo, enraizados na busca irreal do padrão de beleza. Diante disso, esse estereótipo opressor de biotipos difundido gera mais isolamento, transtornos e ansiedade aos obesos.

Ademais, a banalização do preconceito é outro elemento que obstaculiza a superação da gordofobia no Brasil. Nesse aspecto, a filósofa Hanna Arendt argumentava que existem males presentes na sociedade há tantos anos que se tornaram comuns e, portanto, banalizados, ao passo que a sociedade, por considerar o preconceito normal, continua a perpetrá-lo. Isso é visto diariamente na forma de ‘‘bullying’’, chacotas e piadas ofensivas contra a população obesa.

Portanto, uma medida que ao menos atenue o crítico cenário é a participação do Ministério da Cultura e do Ministério da Saúde na conscientização social acerca das consequências psicológicas e físicas que a mídia e o preconceito causam em crianças, mulheres e homens obesos. Essa ação se dará por meio da distribuição, nas plataformas digitais do governo, de documentários e vídeos curtos, os quais, em detalhe, devem abordar a diversidade e a individualidade dos corpos humanos. Isso, a fim de combater o estereótipo que oprime os gordos no país, gerando, assim, uma sociedade mais justa e respeitosa.