Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 20/10/2023
“Nós, brasileiros, somos como Robinsons: estamos sempre à espera do navio que nos venha buscar da ilha a que um naufrágio nos atirou” foi desta maneira que Lima Barreto, no texto Transatlantismo, explicitou o sentimento dos residentes de “não pertencer” ao Brasil no século XX. Hodiernamente, essa sensação persiste, uma vez que os direitos, garantidos pela Constituição de 1988, não atingem a totalidade. Em face a esse cenário, a gordofobia, discriminação com pessoas acima do peso, evidencia o quanto preconceito e negligência estatal convertem residentes em forasteiros de sua nação.
A princípio, há um incomodo social com as assimetrias estéticas que impossibilita o bem-estar do grupo em questão. Para a filósofa Hannah Arendt, pode-se considerar a diversidade como inerente à condição humana, de modo que os indivíduos deveriam estar habituados à convivência com o diferente. Contudo, tal caraterística não é repeitada, visto que corpos gordos são associados a falta de cuidados e julgados a todo momento . Dessa maneira, é estabelecido um cenário excludente para os indivíduos.
Soma-se isso à passividade do governo em lidar com essa situação. Segundo o filósofo polonês Zygmmunt Bauman, uma instituição, quando posicionada de forma a negligenciar sua função original, é considerada em um estado de “zumbi”. Nessa perspectiva, os governantes tem negligenciado seu trabalho ao não providenciar uma discussão acerca da gordofobia e pela falta de infraestrutura adequada às pessoas gordas. Dessa forma, enquanto as autoridades fecharem os olhos para esse problema, a cidadania continuará sendo consumida.
Portanto, com base nos elementos supracitados, cabe ao Ministério da Comunicação concientizar a população , por meio de propagandas nas mídias socias que desassociem os estigmas dos padrões estéticos, afim de eliminar o preconceito. Ademais, também, é de responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Social garantir a acessibilidade ao grupo, por intermédio da adaptação das estruturas públicas para aceitar corpos de diferentes tamanhos, com o intuito de integrá-los no convivio social. Assim, o Brasil poderá resgatar os Robinsons que se perderam no mar.