Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 22/10/2023
Desde o Iluminismo, caracterizado por preceitos humanitários no século XVIII, configura-se que uma sociedade só progride quando um indivíduo se preocupa com o outro. No entanto, no que tange ao óbice da gordofobia no Brasil, nota-se que esse ideal é sintetizado apenas na teoria. Nesse sentido, fatores históricos e sociais se fazem presentes, seja por causa de um legado, seja por causa de uma estrutura excludente, o que representam atos retrógrados a serem combatidos.
Nesse viés, nota-se uma influência histórica como impulsionadora do preconceito contra pessoas obesas. Outrossim, desde a Antiguidade Clássica, observa-se um culto à magreza, como a busca incessante por corpos atléticos como sinônimo de saúde e aceitação social. Nesse contexto, tal mentalidade ainda persiste de modo nocivo, haja visto que há uma associação errônea de que todo corpo magro é saudável e corpos gordos são sinal de comorbidades, o que gera conceitos pré-estabelecidos e, muitas vezes, sofrimento e distúrbios psicológicos na população obesa.
Ademais, há um padrão arquitetônico feito com proporções não pensadas para a população obesa. Nessa conjuntura, de acordo o termo “Indústria Cultural”, do filósofo Adorno, o interesse de uma minoria dominante tende a prevalecer, ou seja, as construções estruturais brasileiras foram formuladas de acordo com um parâmetro de corpos magros, o que inviabiliza ou dificulta, muitas vezes, a utilização por pessoas acima do peso padrão. Desse modo, representa uma prática segregadora e precisa de revisão por parte de órgãos reguladores políticos, para abranger a totalidade da diversidade brasileira.
Infere-se, portanto, que há entraves para garantir uma comunidade mais igualitária e harmônica. Faz-se necessário, então, que o governo federal, órgão máximo do executivo, dê primazia ao impasse, por meio de vinculação, em âmbito midiático, do debate sobre as adaptações estruturais e a valorização de todos os corpos, além da desvinculação de que apenas um biótipo é necessariamente saudável. Espera-se, com isso, uma sociedade com mais tolerância e empática, como no aforismo Iluminista.