Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 27/11/2020
A música ‘‘Sem Saúde’’, do cantor Gabriel Coutinho, narra criticamente as precárias condições de atendimento características do atual sistema médico-hospitalar. Sob esse viés, a telemedicina, meio tecnológico e remoto de se realizar consultas periódicas, surge como uma útil ferramenta em potencial para a democratização dos serviços no Brasil. Seu uso, entretanto, ainda é desafiado pela desigualdade tecnológica vigorante.
Vale destacar, inicialmente, as vantagens da medicina virtual no tocante à otimização do alcance público. Nessa perspectiva, a Constituição Federal, elaborada há 32 anos, instituiu o Sistema Único de Saúde como meio de assegurar o direito ao bem-estar e ao padrão salutar de vida. Contudo, apesar dos inúmeros avanços alcançados, a medicina preventiva é sufocada pelas extensas filas de espera, que podem ser reduzidas a partir da adesão parcial dos ‘‘web-atendimentos’’ em casos brandos. Assim, a opção de aprimorar essa alternativa torna-se incumbência governamental.
Além disso, a segregação digital constitui uma barreira a se superar. Em consonância com esse argumento, dados advindos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que mais de 50% da população ainda não possui acesso à internet, veículo indispensável para a medicina virtual. Dessa forma, grupos interioranos e periféricos são indevidamente excluídos da moderna modalidade de saúde e, consequentemente, perdem a qualidade de vida ofertada pela realização de consultas rápidas e regulares. Logo, é imprescindível mudar essa realidade.
Diante disso, urge que o Ministério da Tecnologia democratize o acesso digital, por meio de parcerias com empresas privadas de tecnologia. Por sua vez, essa colaboração deve garantir que as companhias de internet instalem e expandam seus serviços de rede gratuitamente em áreas marginalizadas, em troca de isenções fiscais cedidas pelo governo. Dessa maneira, há de se cumprir a finalidade de tornar a telemedicina possível e acessível para todos. Enfim, os problemas sociais narrados na obra ‘‘Sem Saúde’’ irão se limitar a um passado longínquo e já superado.