Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 13/01/2021

A telemedicina é o uso das telecomunicações a favor da medicina para o fornecimento de informação e atenção a pacientes e outros profissionais da saúde situados em locais distantes. Sendo assim, o poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou em seu poema “No Meio do Caminho” a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontrarão empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que o debate e as críticas acerca da implementação da telemedicina no Brasil configura-se em um obstáculo para o avanço da tecnologia na medicina no país. Nesse sentido, cabe avaliar que esse cenário ocorre em virtude da insuficiência legislativa e da falta de visibilidade do assunto.

Em primeiro lugar, convém mencionar a ineficácia estatal referente ao tema. Em relação a isso, o termo “Ausente Contumaz”, elaborado por Washington Luís, norteia a negligência e a falta de interesse dos órgãos públicos, em grande parte, com assuntos que tratam da saúde pública, como a dificuldade de implantar a telemedicina no Brasil. A título de exemplificação, nota-se que o governo permitiu o uso da telemedicina apenas durante a pandemia do coronavírus, a fim de que os hospitais não ficassem lotados. Tal medida funcionou bem e por isso o Estado pode continuar o uso da telemedicina no pós pandemia para identificar e previnir doenças mais corriqueiras nos hospitais, como a gripe, isso segundo o site G1 News.

Ademais, é válido salientar a falta de visibilidade do tema. Consoante à ideia de Noam Chomsky, os veículos de comunicação possuem a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como os prós e contras da telemedicina, sua definição e como pode ser utilizada no sistema de saúde brasileiro. Dessa forma, é evidente que o assunto, uma vez que não abordado pela imprensa, torna-se pouco discutido e até pouco conhecido pela sociedade. Desse modo, o não protagonismo da temática em questão, a qual deve ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, a fim de que se minimize o desconhecimento e o preconceito dessa área da medicina, além de mostrar como ela pode beneficiar o Sistema Único de Saúde (SUS) levando atendimento especializado a todo o país.

Portanto, a não implatação da telemedicina mostra-se uma “pedra” a ser removida para o progresso do Brasil. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde - responsável pelas políticas de saúde no país -, por meio de verbas sendo destinadas ao assunto, introduzir a telemedicina incialmente como forma de prevenção de doenças comuns como diabetes, hipertenção e dengue no Sistema Único de Saúde, e consequetemente se obtiver êxito, inserir a nova tecnologia em consultas de rotina dessas mesmas doenças visando melhorar o imbróglio. Outrossim, a mídia, mediante reportagens, deve informar sobre a telemedicina no Brasil na TV e internet. Logo, os indivíduos ficarão informados sobre a novidade.