Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 27/11/2020
Segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), a má distribuição de médicos no Brasil é evidente, com apenas 8% dos médicos em municípios com menos de 50.000 habitantes, os quais correspondem a 90% do território nacional. Nesse sentido, a assistência médica democrática e universal ainda é um desafio em cidades e comunidades afastadas dos grandes centros urbanos, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Nesse cenário, a telemedicina surge como possível solução prática para atender regiões isoladas e sem suporte de profissionais de saúde. Entretanto, a implementação desse amparo tecnológico enfrenta problemas graves. Devido à falta de acesso a internet em locais remotos e à elitização do acesso a bens e serviços eletrônicos, a prática ampla da medicina online é uma realidade distante e urge de intervenções do Estado.
Primeiramente, segundo o geógrafo Milton Santos, os avanços tecnológicos e científicos são acessíveis apenas pelas parcelas mais ricas da sociedade, criando-se uma segregação social com base em quem possui poder de compra para adquirir as novas tecnologias. Tal segregação é clara na elitização do acesso à telemedicina. Nessa lógica, as pessoas de baixa renda de comunidades carentes do interior não conseguem arcar com os custos altos de aparelhos celulares, computadores, dentre outros. Portanto, sem acesso a essas tecnologias, o amparo médico online dessas pessoas necessitadas torna-se inviável.
Além disso, outro fator agravante na dificuldade em democratizar a assistência online de profissionais de saúde é a falta de acesso à redes de internet em municípios e comunidades remotas. Segundo dados do IBGE, cerca de 46 milhões de brasileiros ainda não possuem acesso às redes, o correspondente a 25% da população com 10 anos ou mais de idade. Consequentemente, somado ao escasso número de médicos nessas regiões para o atendimento tradicional, a difusão da telemedicina entre essa parcela da população é infactível.
Destarte, são necessárias medidas que minimizem os problemas para implementação da medicina online no Brasil. Com esse propósito, o Estado deve realizar parcerias público-privadas, em que empresas de tecnologia recebam benefícios fiscais em troca de investimentos, para arrecadar fundos para a construção de centros de atendimento online vinculados ao SUS, em regiões isoladas e sem suporte médico. Esses centros possuiriam torres de internet e toda estrutura tecnológica necessária ao teleatendimento. Essa ação possibilitará a democratização do acesso à telemedicina entre pessoas de baixa renda que não possuem amplo acesso à redes de internet e não possuem recursos para comprar computadores, celulares e eletrônicos similares.