Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 27/11/2020

De acordo com Steve Jobs, CEO da Apple, marca tecnológica, uma vez que a tecnologia tem grande participação no desenvolvimento da sociedade, é possível afirmar que ela é quem move o mundo. Ainda na visão progressista do empresário, os avanços tecnológicos se provaram significativamente participativos e facilitadores em vários setores da vida do homem moderno, dentre eles o da saúde, através da telemedicina, a qual é um suporte para a medicina tradicional. Dessa forma, é necessário que haja um debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil, dando atenção aos seus pontos positivos e negativos.

Em primeira análise, vale mencionar que a referida área da telessaúde é conceituada como a utilização de utensílios tecnológicos para tornar mais eficiente e facilitado o exercício da medicina, quebrando barreiras como a distância entre o paciente e o médico e até a própria limitação humana. Por exemplo, Ada é um aplicativo telefônico que, a partir dos sintomas descrevidos pelo seu utilizador, é promovido um diagnóstico médico compatível com as informações descritas, tornando-se, assim, um médico virtual para aqueles que se encontram impossibilitados de ir a um consultório. Tendo isso em vista, fica claro o impacto positivo que esse novo meio de tratamento de enfermos pode ter no âmbito da saúde brasileira.

Porém, é importante mencionar os impasses que podem ser gerados com a adoção efetiva da prática da medicina a distância. Primeiramente, faz-se indispensável ressaltar que segundo Immanuel Kant, filósofo francês, o princípio da ética é agir de forma que essa ação possa se tornar uma prática universal. Permanecendo sobre a ótica do pensador, com a utilização das novas tecnologias para cuidar de doentes, pode ocorrer, semelhantemente a Revolução Industrial, uma troca da mão de obra médica humana pela robótica, posto que as máquinas são eficientes e viáveis economicamente. Portanto, nota-se que, paralelamente a capacidade de ser algo altamente benéfico, a telemedicina possui o potencial de se tornar um problema de ética, já que aqueles que muita das vezes renunciam um estilo de vida saudável em prol da saúde de outros seriam descartados.

Depreende-se, então, a necessidade da criação de meios com a finalidade de incluir e praticar a telemedicina sem que haja a possibilidade de ocorrência de uma crise moral. Logo, o Ministério da Saúde, através de reuniões mensais, as quais deverão conter a participação de especialistas em economia e representantes da medicina brasileira, para definir por escrito os limites da utilização da robótica no campo médico.