Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 27/11/2020
“A tecnologia move o mundo”. A frase proferida pelo empresário norte-americano Steve Jobs comenta como os meios tecnológicos são capazes de transformar a realidade dos indivíduos. Nesse âmbito, no que se refere à telemedicina no Brasil, é possível afirmar que sua implementação representa um grande desafios para os gestores, principalmente dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, convém discutir os aspectos positivos e os principais entraves para a efetivação desta prática em território brasileiro.
Inicialmente, cabe ressaltar que a interação entre profissionais de saúde e pacientes vem mudando de maneira assertiva. Nesse contexto, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a assistência mediada por tecnologias de informação e comunicação (TICs) teve um crescimento exponencial, sobretudo na oferta de consultas e diagnósticos, e representa um avanço na área médica. Além do mais, milhares de aplicativos em saúde são desenvolvidos todos os anos, como uma excelente alternativa para melhorar os atendimentos em todo o mundo. Deste modo, não há dúvidas que tais ferramentas precisam ser utilizadas no SUS, com o objetivo de promover seu avanço, como notadamente observa Steve Jobs.
Entretanto, existem várias dificuldades para implementar esta prática em território nacional, como, por exemplo a falta de acesso à internet, devido as singularidades geográficas e as desigualdades socioeconômicas. Segundo o portal de notícias Folha de São Paulo, as consultas via celular ou aplicativo estão concentradas em grandes centros urbanos, sendo que os moradores de áreas rurais não conseguem utilizar tais serviços e, infelizmente, não permite esta comunicação com o médico. Ademais, se para os gestores do SUS tem sido um desafio garantir os serviços primários, será bem mais complexo promover os mediados por TICs.
Portanto, para implementar de maneira igualitária a telemedicina brasileira, é necessário maior atuação do Estado. Nesse sentido, o Governo Federal, por intermédio do Conselho Nacional de Secretarias de Saúde Municipais (CONASEMS), deve implementar uma política de consultas virtuais, por meio do mapeamento de todos os municípios brasileiros, com financiamento que vise a compra de equipamentos e treinamento de profissionais, para possibilitar atendimento tanto em áreas remotas, quanto nas grandes cidades. Somado a isso, tal dispositivo legal deve estabelecer metas e acompanhar a eficácia dos programas propostos. Espera-se, com isso, aumentar o acesso e melhorar a saúde dos pacientes, bem como, propiciar uma assistência equânime aos cidadãos brasileiros.