Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 28/11/2020
No filme “Homem de Ferro”, o super-herói utiliza recursos tecnológicos de ponta para combater a criminalidade da cidade. Fora da ficção, a tecnologia tem sido útil não só para garantir a segurança dos cidadãos, mas também tem representado uma perspectiva positiva para a saúde, tendo em vista que a telemedicina disponibiliza serviços para o cuidado com a qualidade de vida a distância. Nesse cenário, é importante destacar as potencialidades da implementação da telemedicina, bem como os motivos pelos quais a desigualdade social inibe seu gozo por todos os brasileiros.
Inicialmente, segundo o sociólogo Pierre Lévy, a tecnologia é capaz de conectar as pessoas através de uma teia de fluxos informacionais. De fato, o que diferencia a telemedicina da medicina tradicional é o seu amplo alcance e a sua capacidade de estabelecer conexões entre o profissional da saúde e o paciente, dispensando a necessidade de ambos ocuparem similar espaço físico. Como consequência dessa nova configuração de atendimento, uma maior quantidade de pessoas poderão passar a frequentar periodicamente o profissional sanitário, uma vez que a locomoção é um desestimulador ou até mesmo inibidor para muitas pessoas, tais como as que têm dificuldades motoras ou vivem distante de centros de atendimento à saúde física e mental. Uma prova da utilidade da telessaúde foi sua ampla utilização durante a pandemia de COVID-19, no Brasil, uma vez que, para respeitar o isolamento social imposto, o acompanhamento médico voltou-se para a esfera virtual. Nesse aspecto, é indubitável que as perspectivas positivas da telemedicina são fundamentais para a otimização da saúde pública.
Ademais, cabe salientar que, segundo a Organização das Nações Unidas, o Brasil ocupa a sétima posição dentre os países mais desiguais do mundo. Nesse cenário, a utilização de recursos tecnológico capazes de possibilitar consultas on-line não é uma realidade para todos, tendo em vista que a disparidade econômica impede com que todos possam financiar computadores e celulares ou, até mesmo, viver em um ambiente com acesso à internet. Portanto, garantir tais recursos indispensáveis para o acesso à telemedicina por toda população é urgente, visto que, para as novas configurações de consulta serem efetivas, é necessário seu gozo por toda sociedade sem distinção de classe.
Por fim, para instaurar a utilização da telemedicina no Brasil, faz-se necessário a atuação do Estado. De primeira, é importante que a população compreenda que a telessaúde complementa o trabalho da medicina tradicional e não a substitui. Para isso, urge que mais propagandas, criadas pelo Ministério da Saúde, alertem sobre os benefícios da modalidade de atendimento em questão para toda a população, veiculadas em horários nobres na televisão. Ademais, para retificar o obstáculo da desigualdade econômica, o Estado deve criar parcerias com empresas privadas de telecomunicação para ampliar os locais de acesso à internet e para a criação de planos populares para o seu acesso.