Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 28/11/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988,o artigo 196 provém que o Estado é responsável por garantir saúde para todos,incluindo contemplar recursos tecnológicos para garantir o exercício da sua obrigação. Diante disso,o debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil é permeado por problemas socioeconômicos intrínsecos no país. Sob tal ótica,a falta de conscientização popular e a agressiva desigualdade social emergem como empecilhos para a plena utilização do recurso na nação verde e amarela.
Em primeira análise,cabe pontuar como a falta de acesso à informações sobre a telemedicina dificulta a efetuação definitiva da ferramenta no Brasil. À respeito disso,Jürgen Habernas,filósofo alemão, defende que a comunicação é o mais fundamental processo humano. Todavia,a teoria defendida por Habernas não é perceptível na realidade brasileira. Isso porque,uma grande parcela do país desconhece o tratamento médico à distância por conta de uma má campanha publicitária entre os órgãos responsáveis,visto que,segundo o Conselho Federal de Medicina,apenas 8% da população faz uso da saúde digital. Dessa maneira,muito antes de fatores técnicos sobre a utilização desse recurso,é necessário meios de propiciar,de forma eficaz,as informações para toda a sociedade.
Por outro lado,outro aspecto importante sobre a telemedicina no Brasil é a desigualdade socioeconômica vigente. Nesse viés,de acordo com o sociólogo Jean Jacques Rousseau,a propriedade privada é a causa maior da disparidade social. Diante do modelo denunciado por Rousseau,é possível afirmar como a falta de poder aquisitivo da substancial parcela da população para comprar computador,celular e planos de internet,recursos obrigatórios para uma consulta online, afeta o desenvolvimento da telemedicina. Constata-se,portanto,com pesquisas feitas pelo IBGE,que mais de 50% das camadas mais pobres sequer acessam a internet. Dessa forma,faz-se urgente a intervenção do Estado em relação a tal problemática.
Em síntese,o debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil urge a colaboração das esferas governamentais. Em primeiro lugar,é dever do Ministério da Saúde conscientizar devidamente a população sobre a existência da medicina online por meio da difusão de campanhas publicitárias como comerciais,palestras e panfletos,distribuídos principalmente no sistema público de saúde,com o intuito de facilitar a introdução desse método no país.Além disso,é preciso a criação de projetos como o fornecimento de pacotes de internet para população carente acessar consultas virtuais através de hardwares distribuídos pelo próprio Ministério a fim de garantir a participação total das classes mais baixas do país.