Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 28/11/2020

A Constituição Cidadã de 1988 prevê que todo cidadão deve ter acesso à saúde. Contudo, essa garantia ainda não é cumprida em sua totalidade, visto que muitas pessoas ainda não têm uma saúde pública e de qualidade ao seu alcance. Assim, pensando na solução desse problema, foi desenvolvida a telemedicina- atendimento médico online. Sendo assim, deve-se discutir sobre a impotância desse método para a inclusão dos cidadãos e sobre uma possível dificuldade na relação médico-paciente.

Primeiramente, de acordo com a “Teoria do espaço público”, desenvolvida pela filósofa alemã Hannah Arendt, as instituições públicas devem ser inclusivas a fim de exercerem sua função social. Dessa maneira, entende-se que a telemedicina, ao atender pacientes que não conseguem ou não podem ter acesso a um médico de forma presencial, fará com que o sistema de saúde brasileiro, a longo prazo, deixe de ser exclusivista. No entanto, para que a medicina online cumpra sua função de maneira satisfatória, ela deve vir acompanhada de uma plataforma acessível para seus usuários.

Além disso, é importante debater sobre um possível entrave para a implementação da telemedicina: a dificuldade na comunicação entre médico e enfermo. Essa preocupação provém, principalmente, da grande variação linguística existente no Brasil, que pode causar o não entendimento mútuo dos envolvidos por serem de regiões, camadas sociais ou gerações muito diferentes. Ou seja, citando um exemplo: um clínico do Sudeste pode não entender que seu paciente do Nordeste está com dor na região lombar porque este irá chamar de “dor nos quartos” e não terá como apontar o local do desconforto para o profissional, que também não poderá fazer alguns exames, o que pode causar um erro de diagnóstico.

Portanto, o Estado deve tomar as medidas cabíveis para mitigar essa problemática. Para tanto, o Ministério da Saúde e o Ministério da Tecnologia devem, por meio de debates, testes e pesquisas que envolvam a opinião da população, desenvolver uma plataforma que seja de fácil uso tanto para médicos quanto para pacientes, tornando o atendimento e o diagnóstico mais certeiros. Também é importante que a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde desenvolva e ofereça cursos gratuitos que ensinem e preparem os médicos para lidarem com as mais diferentes pessoas, suas situações de vida e seus modos de fala. Essas medidas têm como finalidade facilitar o uso dessa nova tecnologia, além de tornar a comunicação médico-paciente mais eficiente e agradável. Dessa forma, será possível cumprir o direito de acesso á saúde, garantido na Constituição Cidadã Brasileira.