Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 04/12/2020
“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto tecnologia e saúde, os problemas envolvendo a telemedicina funcionam como gotas de suja poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de conhecimento e preconceito sobre o assunto impedem a limpeza do oceano chamado sociedade.
Em primeira análise, a carência de conhecimento sobre a telemedicina mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer disse que os limites do campo de visão de um indivíduo determinam seu entendimento a respeito do mundo. Essa fala justifica que se as pessoas não têm acesso à informação correta – propagandas, infográficos, palestras – sobre a telemedicina, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação da baixa adesão desse método de atendimento virtual entre paciente e médico, por exemplo. Nesse viés, essa limitação impede que a sociedade avance, pois os benefícios, como custo reduzido e praticidade de acesso em muitas regiões onde o profissional nem poderia chegar, não serão disponibilizados para o coletivo, resultando em um corpo social desinformado, realidade a ser mudada.
Em segunda análise, o pensamento “anti-mudança” de que atendimento de saúde deve ser “cara a cara”, ou seja, em um consultório proliferam a não aceitação da telemedicina. Segundo Hannah Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, argumenta que o raciocínio preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser comparado ao pensamento antigo de que o paciente deve ver o médico presencialmente. Essa atitude prejudica a ideia de desenvolvimento social, pois com a telemedicina o número de atendimentos seria maior, devido aos preços serem menores, assim como evitar transportes até o consultório ou posto de saúde, facilitando a acessibilidade e, consequentemente, melhorando a qualidade de vida, situação que não acontece. Por isso, incentivar o pensamento pró-mudança é essencial à harmonia no corpo social.
Portanto, medidas são necessárias para permitir a inclusão da telemedicina no Brasil e no mundo. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas de conscientização sobre o tema, com o “slogan”: “aderindo à telemedicina”. Esse projeto pode ser feito por meio de publicações em redes sociais, atingindo o maior número de pessoal possível, referente a os benefícios desse novo método e como usá-lo, de modo que a população possa amadurecer e extinguir o pensamento “anti-mudança”, resultando na plantação de sementes de ideias que resultarão em teorias sociais de saúde coletiva. Dessa forma, a limpeza completa do oceano social tornar–se-á destino certo.