Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 06/12/2020
Sob a análise de um contexto histórico, os indígenas brasileiros utilizavam os diversos recursos da natureza como ervas medicinais e rituais mágicos, com o objetivo de sanar as doenças tropicais que assolavam as aldeias. Nesse sentido, o conhecimento era compartilhado entre os grupos primitivos, que perpetuavam rituais e cerimônias para o bem coletivo e uma convivência melhor. Hodiernamente, os seres humanos assim como os indígenas, foram capazes de transformar em outro patamar a natureza, e a partir dela, criar tecnologias que facilitassem as diversas operações no campo da medicina. Nesse contexto, a implementação da telemedicina no Brasil abrange a necessidade de se discutir seu uso, e dessa forma, por meio de uma análise ética, alcançarmos a inteligência compartilhada, a serviço do aperfeiçoamento de uma melhor convivência.
Em uma primeira perspectiva, é inegável que a telemedicina é capaz de melhorar a praticidade do sistema de atendimento atual. Conforme a ideia, a eliminação de filas e burocracias que complicam a vida do cidadão, podem ser rapidamente resolvidas pelo atendimento feito em domicilio. No contexto em que vivemos em meio a pandemia do corona vírus, as tecnologias que substituem em muitos casos a relação presencial, já demostraram a eficácia deste recurso para a otimização e proteção dos indivíduos. Apesar das melhorias que esta ferramenta nos proporciona, a telemedicina deve ser priorizada em casos que não seja necessário o contato presencial, e portanto, o implemento deste recurso, exige o acompanhamento de critérios avaliativos por especialistas, que possam averiguar o estado de gravidade e necessidade de atendimento do paciente.
Cabe mencionar em segundo plano, que a telemedicina deve ser democratizada. Nesse contexto, no livro “As raízes do Brasil “, o historiador Sérgio Buarque de Holanda afirma que a sociedade brasileira é permeada pela segregação social. Por conseguinte, essa estrutura social verticalizada tende a acumular privilégios como a telemedicina para estratos que detém maior capital e meios para a realização de consultas “online”. Nesse sentido, o implemento da telemedicina sugere talvez o lado mais desafiador do processo, a democratização do acesso aos recursos tecnológicos, possibilitando que todos tenham acesso a tal recurso.
Em síntese, é necessários que a telemedicina seja praticada por meio de regulamentações e critérios avaliativos específicos. Consoante a ideia, o governo federal e as universidades, devem promover este cenário da melhor maneira possível, por meio da criação de tecnologias de baixa custo, gestão desses aparelhos para que alcancem as comunidades mais carentes, e palestras que informem e conscientizem a população sobre como utilizar e proceder com as consultas no âmbito digital.