Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 28/11/2020

" Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo" já cantava Raul Seixas desde a década de 1970. A partir dessa ideia de evolução e crescimento humano, é que deve-se analisar a necessidade de implantar a telemedicina na sociedade brasileira e os cuidados  para que ela não se torne outro problema social no futuro.

Primeiramente, vale ressaltar que, no Brasil o tamanho da população, a dimensão do território e os abismos sociais dificultam o acesso dos cidadãos à saúde. De modo que a implementação da telemedicina se faz preeminente. Isso porque é por meio dela que o paciente que não tem dinheiro sobrando, que mora no interior do seu estado e precisa apenas trocar a sua receita ou mostrar um exame ao médico que está na capital, terá a oportunidade de fazê-lo via internet. Isso tudo ele fará de  casa, sem aguardar por meses uma vaga e de forma econômica, o que não irá abalar seu orçamento doméstico. Essa mudança é necessária, pois parafraseando Drauzio Varela : “o sistema de saúde do país precisa ser otimizado para atender esse grande contingente populacional”.

Cabe abordar, ainda, que vinculado a esses avanços é preciso cuidado não apenas sobre a precarização da profissão médica, mas também na qualidade do atendimento aos pacientes. Isso precisa ser discutido, pois observando a era neoliberal que o Brasil vive, os médicos serão envolvidos na ideologia de um modelo de “fastfood”: o “fastcare”, no qual os médicos perderão sua qualidade profissional e muitos pacientes serão “atendidos”, mas os seus problemas não serão resolvidos. Essa ideia de “consulta rápida” foi problema em Santa Catarina no ano de 2006, de acordo com a Folha de São Paulo, pois cerca de 40% das consultas realizadas de forma remota não foram satisfatórias para os pacientes. De maneira que é preciso regulamentar essa forma de atuação da medicina para o bem da sociedade.

Portanto, conclui-se que, a telemedicina precisa ser implantada no Brasil por meio de investimento do Governo Federal em tecnologia e regulamentação. De início, o Estado, por meio do Ministério da Tecnologia e junto às grandes operadoras de telefonia, deve aparelhar o território nacional com internet de qualidade. Isso com a intenção de construir meios seguros e de excelência para que a medicina possa ser realizada também via internet, pois as barreiras da distância, da renda e da espera só serão suplantadas com essa otimização do sistema de saúde. Somada a isso é necessário que o Ministério da Saúde regulamente o uso da medicina remota e junto com as secretarias de saúde municipais capacitem os profissionais de saúde,com intuito de atingir um alto padrão de qualidade no atendimento. Isso irá provar que o melhor é ser uma metamorfose ambulante evoluindo socialmente pelo país.