Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 29/11/2020
Avanço comprometido
A Revolução Técnico-Científico-informacional acarretou o advento das tecnologias e, com isso, ocorreram mudanças sociais e laborais. Nesse viés, nota-se que tal ferramenta proporcionou uma diversificação das modalidades médicas, com destaque ao surgimento da Telemedicina. Todavia, a implementação dessa área no Brasil encontra impasses, devido à desigualdade digital e a falta de órgãos governamentais promotores da proteção online de médicos e pacientes.
Em primeira análise, de acordo com Milton Santos, a globalização, embora tenha dinamizado o mundo, gerou assimetrias tecnológicas, haja vista quase quarenta porcento da população brasileira não possuir acesso à internet, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse modo, devido ao funcionamento da telemedicina acontecer no espaço virtual, seu uso torna-se inviável para inúmeros indivíduos. Assim, os benefícios proporcionados por tal área medica, tais como rapidez nos resultados de exames, interação médico-paciente à distância e especialização nos diagnósticos dos laudos, se mantém distantes de parte dos brasileiros.
Em segundo lugar, outro impasse para a efetivação plena da telemedicina no país é a falta de órgãos públicos que promovam a proteção digital dos pacientes, médicos e hospitais. Nesse ínterim, conforme o Conselho Federal de Medicina, o qual aplica regras ao exercício de tal modalidade no país, deve-se utilizar e armazenar informações dos usuários para os atendimentos. Entretanto, a seguridade da telemedicina é colocada em risco, pois não existem órgãos específicos executores da defesa virtual nessa área. Dessa maneira, várias pessoas ficam amedrontadas com a possibilidade de perda de dados, documentos e exames importantes, o que reduz o número de adeptos à essa prática médica.
Entende-se, portanto, a necessidade de aprimorar a telemedicina no país, de forma abrangente. Para tal fim, o Ministério da Saúde, junto ao Ministério de Segurança Pública, deve contratar profissionais qualificados em tecnologia, por meio do uso de verbas públicas, para a criação de um mecanismo de proteção com algoritmos específicos, afim de promover a seguridade dos sistemas vinculados a tal modalidade. Com isso, a telemedicina pode auxiliar inúmeros cidadãos e ser devidamente reconhecida.