Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 03/12/2020

O lema da bandeira brasileira, “Ordem e Progresso”, influenciado pelo positivismo de Augusto Comte não corresponde à realidade do país. Isso porque o debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil, que facilitaria o acesso à assistência médica, enfrenta grandes desafios como a distribuição desigual de internet pelo território em paralelo à péssima infraestrutura do Sistema Único de Saúde (SUS). Destarte, é imprescindível que o governo gere caminhos que promovam a adesão do atendimento médico virtual a toda população, visto que ela é essencial para uma melhor qualidade de vida.

Em primeira análise, sabe-se que há regiões do Brasil com alta concentração de internet e tecnologia, como o sudeste, por exemplo, enquanto outras mal tem acesso a tais benefícios. Em sua obra, " A Revolução dos Bichos", o escritor George Orwell faz uma sátira à sociedade moderna, na qual todos os indivíduos são iguais, porém alguns são mais do que os outros. Seguindo tal raciocínio, a telemedicina beneficiaria, então, a população de forma desigual, favorecendo mais aos cidadãos que tem acesso facilitado à internet, enquanto outras pessoas seguiriam lutando para conseguir agendar uma consulta presencial. Desse modo, caso as consultas online tornem-se algo permanente, é fundamental o apoio do governo aos indivíduos menos privilegiados.

Outrossim, encarar a infraestrutura precária do SUS é, também, uma dificuldade. Conforme o conceito de “Ética à Nicômaco”, do filósofo Aristóteles, é dever do Estado garantir o bem-estar de seus cidadãos. Todavia, é nítido que isso não acontece, uma vez que são recorrentes situações de pessoas, ocasionalmente divulgaldas em jornais, que estão há meses aguardando por cirurgias ou unidades do SUS sem médicos e enfermeiros trabalhando. Dessa forma, antes de efetuar uma importante mudança na medicina, é preciso resolver os problemas pré-existentes.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de adotar a telemedicina para a saúde brasileira, mesmo com os desafios para essa aquisição. Diante disso, cabe ao Governo Federal criar um plano de assistência à saúde pública que promova conexão à internet e meios tecnológicos em todas as regiões do Brasil, por meio da distribuição de roteadores de “Wi-Fi” e aparelhos celulares nas áreas com acesso dificultado. Essa ação deve ser realizada com o auxílio de pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a fim de obter informações mais precisas acerca dos lugares que predominam pessoas de baixa renda e que sofrem com surtos constantes de doenças. Sendo assim, o Brasil poderá então arcar com o status progressista defendido em seu lema.