Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 02/12/2020
Certamente, a crise gerada pela pandemia do coronavírus ocasionou mudanças significativas no modo como as pessoas consomem produtos e serviços. Se antes o normal era ir ao mercado para fazer compras ou ao banco para pagar contas, agora os clientes preferem fazê-lo pelos canais a distância, por exemplo, via telefone ou computador. E com a medicina houve um processo semelhante, pois um assunto visto como uma promessa futura, depois das restrições geradas pelo isolamento social, acabou ganhando maior relevo entre as discussões sociais: a telemedicina. Por isso, propõe-se fazer um rápido levantamento histórico, seus aspectos positivos, além de possível proposta de intervenção.
Primeiro, a telemedicina já tem algum tempo no Brasil. As práticas ligadas a ela como videoconferências, home office e deliveries, quando necessárias, já existiam antes da pandemia, contudo o ambiente gerado pela doença acabou catalisando tais práticas. O primeiro projeto brasileiro foi implantado em 2012, pelo Hospital paulista Albert Einstein em parceria com o Hospital M’Boi Mirim, em que intensivistas do segundo hospital receberam suporte de especialistas em neurologia do Einstein para casos de AVC. Já em 2015, o Albert Einstein inaugurou o primeiro serviço de tele UTI, que, em parceria com o Ministério da Saúde, passou a oferecer auxílio a hospitais da rede pública. Portanto, há pelo menos quase uma década de iniciativas dessa natureza no país.
Já sobre aspectos positivos, o presidente do Hospital do Coração de Alagoas, Ricardo Cavalcanti, se posiciona favoravelmente a telemedicina como representante de uma grande transformação para a saúde brasileira. O mesmo profissional é responsável pelo projeto UTIs Virtuais, as quais ajudaram a salvar muitas vidas em meio a pandemia de Covid-19 em Alagoas, considerado um dos estados mais pobres do Brasil. Ainda segundo o médico, a experiência alagoana mostrou-se eficaz, e sem custos absurdos, significando que a tecnologia tem um grande poder de democratização. Por certo, isso leva a crer que a prática remota pode ser ampliada para outros lugares do país, onde o acesso à saúde é tão desigual, especialmente no Norte e Nordeste, levando a redução de tal carência.
Finalmente, como se pode ver, a telemedicina é uma prática que, embora ainda vista com alguma reserva, tem um alto potencial de ser eficaz em diversos casos. Por isso, o Ministério da Saúde deve ampliar o alcance dessa modalidade por meio de parceiras público-privadas com grandes hospitais. Enquanto que o ente governamental garantiria a infraestrutura necessária, exemplo, internet de banda larga, maquinário digital etc; as instituições seriam responsáveis por medidas como treinamento e supervisão de procedimentos de modo remoto. E assim se espera que a população brasileira, especialmente a mais carente, possa dispor de mais uma alternativa para ter acesso à saúde.