Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 30/11/2020

Em “Utopia”, obra do filósofo humanista Thomas Morus, é descrita uma sociedade perfeita, na qual os problemas são inexistentes, existindo apenas a harmonia do povo. No entanto, a realidade brasileira distancia-se desse modelo utópico, uma vez que o clima harmônico é rompido devido aos desafios de implementar a telemedicina no Brasil. Tais desafios incluem a ineficácia governamental e à omissão da sociedade, o que urge por mudanças.

Em primeira análise, conforme o filósofo utilitarista Jeremy Bentham, é necessário que o Estado governe de forma a proporcionar a felicidade ao maior número de indivíduos. Entretanto, a falta de atitude do governo em relação ao pouco investimento nas telemedicinas demonstra o descaso para com a saúde da população, uma vez que, segundo a Folha de São Paulo, menos de 1% da renda nacional é devidamente gasta com tecnologia no campo da saúde. Nesse sentido, o fácil acesso ao médico e o barateamento de consultas, características da telemedicina, principalmente, na pandemia do novo coronavírus, tornam-se prejudicadas pela pouca atuação estatal. Dessa forma, parafraseando Chico Xavier, a omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparado a um crime contra toda a população.

Vale ressaltar, ainda, que a omissão da sociedade é outro desafio na implementação das telemedicinas no país. Isso pode ser comprovado pela fala do jurista Márcio Brava, que declarou em entrevista à revista Le Monde Diplomatique Brasil, que o silêncio da sociedade reside na cordialidade atual dos indivíduos, que praticam o individualismo em detrimento do coletivo, uma crítica que retoma ao livro “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Holanda. Nesse contexto, é perceptível o apoio familiar e social em não ajudem aqueles que pouco têm acesso às ferramentas tecnológicas, o que dificulta a sua participação nas consultas via internet.

Infere-se, portanto, que a omissão da sociedade e a ineficácia estatal são desafios na implementação das telemedicinas no Brasil. Logo, a fim de mitigar essa problemática, é imperativo que o Ministério da Saúde, por meio dos impostos arrecadados nos grandes centros urbanos, invista em aparatos tecnológicos para os médicos, além de minicursos que os auxiliem no seu trabalho via internet, como a formação de agendas com a relação de cada paciente. Paralelamente, é importante que as Mídias, como influentes da formação social, promovam debates entre médicos que utilizam as telemedicinas e pacientes que já utilizaram dessa tecnologia, a fim de mostrar a importância dessa ferramenta e da atuação da sociedade no combate a esse desafio. Agindo assim, uma sociedade mais justa será formada para ação e benefício de todos.