Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 30/11/2020
Na metade do século XX, a Terceira Revolução Industrial trouxe consigo uma série de inovações no ramo da ciência, entre elas o surgimento da telemedicina, vista como uma forma de maior integração e flexibilização na assistência médica à população. Embora represente um avanço, ainda há entraves que impedem a sua consolidação na sociedade brasileira, as quais figuram um quadro preocupante para desenvolvimento do país. Isso ocorre, sobretudo, pela ausência de acesso à internet como também pela carência de investimento governamental.
Em primeira análise, destaca-se a exclusão digital como impulsionador do impasse. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, a cada vinte pessoas, oito não possuem acesso à internet. Nessa ótica, uma grande parcela da população vive em locais onde é inapropriado a instalação de mecanismo de telecomunicação que permita a disponibilidade de internet, ficando, frequentemente, sem utilizar o benefício da telemedicina e, por conseguinte, sem assistência médica. Desse modo, tal panorama retarda a resolução da problemática, já que a inacessibilidade digital favorece a perpetuação desse quadro nocivo.
Em segunda análise, evidencia-se a falta de investimento estatal como um propulsor do empecilho. Segundo John Locke, filósofo inglês, em seu Contrato Social, afirma que o poder governamental surge para garantir os direitos naturais. Tal cenário, entretanto, não é perceptível na realidade, haja vista a falta de verbas públicas destinadas a criação de espaços apropriados para o manuseio da telemedicina dificultam, infelizmente, um aproveitamento máximo desse benefício tecnológico e, consequetemente, a sociedade passa por condições precárias no serviço de saúde, que, muitas vezes, não há nem atendimento a população. Logo, ocorre a banalização desse fenômeno, a qual contribui para manutenção do problema.
Torna-se imprescindível, portanto, a efetivação de medidas para resolução da problemática que envolve a telemedicina no Brasil. Nesse viés, o governo federal, juntamente com os governos estaduais, devem promover o desenvolvimento de projetos voltados para ampliação das redes de telecomunicações nas áreas de difícil acesso com fito disponibilizar internet e contratar uma empresa para gerenciamento do controle das políticas públicas a fim de realizar um melhor direcionamento dos recursos financeiros para atender os setores mais carentes da sociedade, por meio de parcerias público-privadas, com auxílio de especialistas na área de telecomunicação e administração governamental. Espera-se, com isso, atenuar essas eventualidades em busca de um país melhor e, assim, materializar as inovações tecnológicas da Revolução Industrial na sociedade brasileira.