Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 30/11/2020

O aplicativo “Docway” foi desenvolvido para promover o atendimento médico domiciliar personalizado e promete ser o novo “Uber” das consultas médicas. De modo semelhante, a telemedicina, no Brasil, promete facilitar o atendimento e a relação médico-paciente. No entanto, a implementação desse tipo de assistência remota pode trazer impactos negativos para o labor clínico, os quais devem ser discutidos. Observa-se, pois, a premência de uma reflexão sobre as questões do atendimento médico digital no país, a fim de fomentar os seus aspectos positivos e mitigar os seus malefícios.

Nesse contexto, de acordo com o filósofo Locke em sua teoria da Tábula Rasa, o homem é um papel em branco a ser preenchido por experiências ao longo da vida. Analogamente, a população  pode ser preenchida por diversas experiências positivas advindas da telemedicina. Nesse viés, o atendimento remoto é um avanço capaz de prover o acesso à saúde a um maior número de pessoas, principalmente nas regiões desassistidas, o que implica em um menor custo e maior celeridade no atendimento. Além disso, a telemedicina propõe aprimorar a medicina tradicional, ou seja, não substituí-la e sim complementá-la, haja vista a praticidade em obter receitas com certificação digital, procedimentos realizados à distância, como cirurgias robóticas e consultas com profissionais especializados. Assim, são inquestionáveis os benefícios desse tipo de atendimento para pacientes e profissionais de saúde, principalmente em razão da protocooperação entre a tecnologia e medicina.

Por outro lado, de acordo com a terceira lei de Newton, toda ação gera uma reação. Tal premissa enseja uma reflexão: sem um planejamento adequado, a telemedicina pode acarretar diversos impactos negativos no âmbito médico. Sob esse prisma, a perda de alguns sentidos no canal de comunicação compromete a avaliação clínica, a qual pode ficar limitada com a distância, tendo em vista a ausência do exame físico. Ademais, a desigualdade do acesso à tecnologia, aliada à resistência ao novo e à falta de familiaridade de alguns profissionais com os aparatos tecnológicos, configuram-se como potenciais empecilhos para o atendimento integral e eficiente. Posto isso, é indubitável o efeito negativo da telemedicina sobre a assistência médica, em virtude da distância e da falta de inclusão digital.

Infere-se, portanto, que a telemedicina possui aspectos tanto positivos quanto negativos. Logo, é basilar que o Conselho Federal de Medicina estabeleça diretrizes em relação à implantação da telemedicina, por meio de congressos para capacitação dos profissionais, com instruções e orientações para aprimorar o atendimento remoto. Assim sendo, os médicos estarão preparados para esclarecer possíveis dúvidas dos assistidos e proporcionar um atendimento mais eficiente e holístico.