Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 30/11/2020
As mudanças que ocorreram com a Revolução informacional redefiniram, de forma expressiva, a sociedade e a economia a partir do século XX. Nesse cenário, a implementação da telemedicina representa uma possibilidade de melhorar a eficácia da saúde brasileira. No entanto, a segregação sociotecnológica, bem como a fragilidade educacional de muitas instituições de ensino, limitam esse processo.
Em primeira análise, nota-se que o grande número de brasileiros sem acesso à internet representa um desafio para a perpetuação da telemedicina. Sobre isso, Thomas Hobbes, filósofo contratualista, defende que é dever do Estado garantir a ordem social. Contudo, a introdução de medidas governamentais que ampliem a democratização do acesso à tecnologia ocorre de forma precária no país. Consequentemente, uma grande parcela da população é impossibilitada de ter contato com os serviços disponibilizados pela telemedicina, o que é um problema.
Ademais, é evidente que a ausência escolar na promoção de atividades didáticas que auxiliem alunos de baixa renda no desenvolvimento de habilidades tecnológicas dificulta o estabelecimento da telemedicina. Segundo um estudo elaborado pela Fundação Telefônica, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas e a operadora de telefonia Vivo, mais de 64% dos brasileiros não sabem ou não querem usar a internet. Assim, pode-se perceber que a escola assume papel indispensável na educação digital e, por conseguinte, na integralização nacional dos serviços da telemedicina.
Portanto, medidas devem ser efetivadas para equacionar o quadro em questão. Logo, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), por meio de anexos à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) - como a obrigatoriedade de horas-aula cuja temática seja o manuseamento tecnológico -, deve possibilitar um cenário favorável à implementação da telemedicina. Com isso, espera-se que haja concretização do acesso eficaz à saúde, além da garantia proposta por Thomas Hobbes.