Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 30/11/2020
Consoante ao pensamento de Steve Jobs, “a tecnologia move o mundo”, os aparatos tecnológicos estão presentes em diversos âmbitos, inclusive na medicina, para facilitar a vida das pessoas. Nesse sentido, a telemedicina surge como uma alternativa ao atendimento médico presencial e pode trazer diversos benefícios aos assistidos. Entretanto, apesar dos seus aspectos positivos, tal modelo de atendimento possui algumas vertentes negativas que precisam ser discutidas. Desse modo, são prementes estratégias para mitigar os efeitos maléficos da telemedicina e fomentar as suas benesses.
Nesse contexto, de acordo com o filósofo Locke, em sua teoria da Tábula Rasa, o homem é um papel em branco a ser preenchido por experiências ao longo da vida. Analogamente, a população brasileira pode ser preenchida por diversas experiências positivas advindas da telemedicina. Nesse viés, esse tipo de atendimento é um avanço capaz de prover o acesso à saúde a um maior número de pessoas, principalmente aquelas de regiões desassistidas, o que implica um menor custo e maior celeridade no atendimento. Além disso, a telemedicina propõe aprimorar a medicina tradicional, ou seja, não substituí-la e sim complementá-la, haja vista a praticidade em obter receitas com certificação digital, procedimentos realizados à distância, como cirurgias robóticas e consultas com profissionais especializados. Assim, são inquestionáveis os benefícios desse tipo de atendimento para pacientes e profissionais de saúde, primordialmente em razão da protocooperação entre a tecnologia e medicina.
Por outro lado, “toda ação gera uma reação”. Tal premissa de Newton enseja uma reflexão: a telemedicina pode acarretar diversos impactos negativos para o âmbito médico, caso não haja um planejamento adequado. Sob esse prisma, a perda de alguns sentidos no canal de comunicação compromete a avaliação clínica, a qual pode ficar limitada com a distância, tendo em vista a ausência do exame físico. Ademais, a desigualdade do acesso à tecnologia no território nacional, aliada à resistência ao novo e à falta de familiaridade de alguns profissionais com os aparatos tecnológicos, configuram-se como potenciais empecilhos para o atendimento integral e eficiente. Posto isso, é indubitável o efeito negativo da telemedicina sobre a assistência médica, em virtude da distância e da falta de inclusão digital.
Infere-se, portanto, que a telemedicina possui aspectos tanto positivos quanto negativos. Logo, é basilar que o Conselho Federal de Medicina estabeleça diretrizes em relação à implantação da telemedicina, por meio de congressos para a capacitação dos profissionais, com instruções e orientações para aprimorar o atendimento remoto. Assim sendo, os médicos estarão preparados para esclarecer possíveis dúvidas dos assistidos e proporcionar um atendimento mais eficiente e holístico.