Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 21/10/2021

Debate-se, com frequência, acerca da implementação da telemedicina no Brasil, haja vista que essa ferramenta se encontra cada vez mais presente na sociedade brasileira, no entanto ainda não consegue abranger adequadamente e oferecer um sistema de qualidade a todos os brasileiros. Isso, se deve à falta de acesso à internet de uma parcela da população. Além disso, a pouca capacitação dos profissionais da saúde contribui com esse problema. Por isso, essa situação deve ser enfrentada.

Primeiramente, apesar da telessaúde tentar democratizar o acesso da sociedade a um profissional da saúde, nota-se que na realidade essa acessibilidade, frequentemente, é inatingível pelos indivíduos mais vulneráveis. Dessa maneira, a exclusão digital cria um abismo entre essa ferramenta e as pessoas carentes, que mais necessitam de auxílio médico, e que por isso são marginalizadas e não podem usufruir dessa nova forma de atendimento. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, mais de 40 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet, fato que impossibilita essas pessoas de interagir no meio virtual e, consequentemente, de utilizar essa modalidade de tratamento médico.

Somado a isso, a insuficiente capacitação oferecida aos profissionais de saúde para atuar nesse campo contribui para esse problema. Uma vez que a telemedicina no Brasil, diferente de países como a Inglaterra e os Estados unidos que tiveram um processo organizado de adaptação e qualificação de trabalhadores, foi implementada de maneira acelerada, desordenada e emergencial, em decorrência da pandemia do COVID-19. Dessa forma, não houve a formação e instrução dos pacientes e, principalmente, dos médicos, o que afeta a qualidade das consultas.

Assim sendo, é imprescindível que essa problemática seja enfrentada. Para isso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), órgão responsável por garantir o acesso a tecnologias no país, deve democratizar a internet no Brasil, por meio da implementação de redes de WI-FI em localidades com pouco ou nenhum acesso, com o objetivo de proporcionar a toda a sociedade brasileira a utilização do meio digital, incluindo da telemedicina. Ademais, o Ministério da Saúde (MS), órgão responsável pela promoção, proteção e recuperação da saúde, deve capacitar os profissionais para atuar na modalidade digital, por meio da disponibilização de cursos no site do ministério e exigência de tais cursos como requisito básico para atuação desses trabalhadores, com o fito de oferecer consultas digitais de qualidade aos brasileiros.