Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 06/12/2020
A Importância do Investimento Tecnológico
Plínio Marcos é um dramaturgo brasileiro que trouxe uma peça teatral chamada “A Navalha na Carne” retratando a marginalização e a precarização da sociedade brasileira, especialmente dos corpos subalternos. Desse modo, cogitar pensar em uma implementação da telemedicina no Brasil, é excluir grande parte da população, visto que muitas pessoas não têm acesso à internet, desse modo, a implementação da telemedicina no Brasil seria contra a Constituição e contra os Direitos Humanos, pois seria uma forma excludente de atendimento à saúde.
Em um primeiro plano, vale destacar a necessidade de que o Estado seja inclusivo com os corpos presentes em nossa sociedade diversificada, tendo como base o Artigo 6 da Constituição Federal que assegura saúde, educação e proteção para todo cidadão brasileiro; Tendo isso em mente, o debate de uma possibilidade utópica de implementar a telemedicina, ataca diretamente a democracia, fazendo assim com que o debate deva ser sobre os possíveis caminhos para a democratização da medicina no Brasil, para que talvez um dia a telemedicina seja possibilidade.
Ademais, vale salientar que o Estado deve implementar uma democratização da saúde de forma digna. Apesar de no Brasil existir o Sistema Único de Saúde, a manutenção é precária, os hospitais são equipados com equipamentos ultrapassados e muitos pacientes têm o atendimento negligenciado, lesado e às vezes inexistente, resultando assim em um atraso nos atendimentos, resultando assim na elitização da saúde, visto que o SUS tem suas deficiências, enquanto os hospitais particulares e planos de saúde gozam de excelente atendimento.
Torna-se claro, portanto, que no contexto socioeconômico que o Brasil se encontra e com a precarização do SUS, a implementação da telemedicina se torna possível apenas com questões antecedentes resolvidas. O Estado deve primeiro democratizar a saúde de forma digna para todos, além de garantir que todos cidadãos tenham acesso à internet, por meio do investimento em tecnologia de comunicação para que as consultas sejam possíveis nos meios mais remotos possíveis, como no interior nordestino ou na região norte do país, onde a população sofre de um atraso tecnológico proveniente da negligência do Estado. Resultando assim, em uma sociedade onde a implementação da telemedicina seja possível e democrática por não ser excludente.