Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 01/12/2020
No filme “O homem de ferro”, é retratada a vida de um super-herói que utiliza a tecnologia para salvar o mundo e solucionar suas deficiências físicas. Hodiernamente, fora da ficção, embora as redes comunicativas estejam presentes em diversos segmentos da sociedade, sua integração à medicina promove debates, haja vista sua relação com aspectos humanitários e com os lados antagônicos dessa modalidade. Nesse sentido, medidas devem ser tomadas com o intuito de elaborar um projeto conciliatório e abrangente.
Em primeiro plano, com o advento da Segunda Guerra Mundial e a consequente bipolarização global, as inovações científicas e tecnológicas tornaram-se uma constante na história moderna. Esse fato é elucidado pela telemedicina que, ao propor um atendimento virtual, reduz distâncias e torna as consultas médicas mais acessíveis, principalmente, em regiões carentes de infraestrutura sanitária. Somado a isso, por dispensar a necessidade de deslocamentos, é indubitável que as consultas serão mais periódicas, o que facilita a descoberta de enfermidades e eleva o padrão de vida comunitário. Sendo assim, torna-se evidente que a integração das mídias com ações hospitalares pode solucionar problemas históricos e catalisar a evolução da longevidade.
Ademais, é válido pontuar que, de acordo com o sociólogo Zigmunt Bauman, o avanço da internet tornou as relações cada vez mais superficiais e passageiras. Diante dessa máxima, ao minimizar o contato físico médico-paciente, essa conjuntura tende a gerar novos empecilhos, pois para alguns pacientes, a troca de carinho e as relações mais duradouras e afetivas são parte integrante de consultas e tratamentos. Outrossim, embora pareça democratizante, essa nova realidade, em alguns casos, intensifica as desigualdades e as injustiças, visto que muitos brasileiros não possuem um provedor de internet para realizar esse encontro virtual. Nessa ótica, a defasagem no que se refere à ausência de contato físico e as discrepâncias regionais reverbera as atuais complicações, em que o avanço encontra entraves emocionais e infraestruturais.
Portanto, visando solucionar esse impasse, o Governo Federal, na figura do Ministério da Infraestrutura, deve elaborar projetos que visem integrar tecnologicamente todo o país, mediante análises locacionais e o atendimento prioritário das regiões mais carentes, para que, assim, esse desenvolvimento se dê de forma gradual, juntamente com a inclusão, o que, além de tornar essa evolução mais democrática, contribuirá para a minimização das desigualdades.