Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 22/12/2020
A série Chicago Med, produzida pela plataforma de streaming Amazon Prime, em um de seus episódios, retrata a utilização de um aplicativo de atendimento domiciliar que dinamiza a realização de consultas pela cidade. Fora das telas, a realidade da telemedicina brasileira, por possui diversos empecilhos, encontra-se distante de ser efetivada tal como a série, o que torna necessário sua discussão. Assim, é preciso compreender o real contexto brasileiro frente a essa tecnologia, bem como a ineficiência estatal em gerir a saúde pública complexificam o cenário atual.
Em primeiro plano, vale ressaltar que o panorama social do país é de extrema desigualdade. De acordo com dados do IBGE, cerca de 13,5 milhões de brasileiros se encontram em um estado de extrema pobreza. Nesse sentido, ao ter em vista a grande parcela da população que está marginalizada a condições mínimas de dignidade, nota-se que, por se tratar de um conjunto de tecnologias que necessitam de amparo infraestrutural, o qual apenas está presente em áreas favorecidas como grandes centros, a telemedicina não consegue ser incrementada para o uso de uma grande parte da sociedade. Logo, é imperativo que haja a tomada de ações que viabilizem seu acesso.
Ademais, a ineficácia do Estado em lidar com a problemática é outro fator agravante. A esse respeito, a Constituição Federal de 1988, garante pelo poder público a manutenção e universalização da saúde nacional. Contudo, tal dever não se cumpre de forma íntegra, visto que há muitos hospitais públicos que se encontram sucateados e sem insumos básicos para o bom funcionamento. Além disso, a negligência do governo em sanar problemas estruturais, como a construção e reestruturação de salas para atendimento, concretizam o péssimo estado desses locais, impedindo a implantação da telemedicina nessas casas de saúde.
Diante do exposto, é evidente que a questão da telemedicina é um entrave que precisa ser solucionado. Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde – órgão responsável pelas políticas de saúde nacional – promover um plano de reestruturação de infraestrutura hospitalar e implantação de atendimentos por telemedicina em cidades com localização estratégica, a exemplo de postos especializados nesse serviço, por intermédio de emendas parlamentares. Essas ações têm como finalidade mitigar a precária situação dos hospitais públicos e proporcionar maior alcance do atendimento médico a parcela marginalizada da sociedade. Com tais medidas, mais casos como a de Chicago Med poderão ser vivenciados na realidade.