Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 06/12/2020

Com o advento da Quarta Revolução Industrial, houve a integração das relações sociais por meio da tecnologia. A partir disso, a telemedicina surge como forma de facilitar o acesso à saúde através da internet. Entretanto, essa não é totalmente implementada no Brasil por dois fatores principais: o conservadorismo social e o baixo suporte dado, por parte do Estado, à efetivação dessa ferramenta. Logo, tal problemática é inconcebível e merece um olhar crítico de enfrentamento.

A priori, o conservadorismo social apesenta-se como uma barreira para a aplicabilidade das consultas virtuais. Nessa perspectiva, infelizmente, essa forma de atendimento médico é estigmatizado por parte da população que, muitas vezes, sem embasamento teórico, concretiza a ideia de que nela não há qualidade. Dessa forma, isso é causado pela deficiência do Estado em não fornecer, por meio de debates, infomações sobre os benefícos da telemedicina. Em análise, esse contexto pode ser associado ao pensamento do filósofo Platão que afirma que não é possível conhecer aquilo que se ignora, ao se reafirmar que a não adesão a medicina virtual, lamentavelmente, está ligada a desinformação. Dessa forma, torna-se crucial analisar medidas que visem dar, para essas pessoas, suporte teórico e a oportunidade de prática para que possam melhor opinar sem preconceito.

A posteriori, diante a pandemia causada pela Covid-19, a telemedicina concretiza-se como uma alternativa para a realização de consultas médicas, evitando o risco de contaminação. Apesar disso, nota-se que o setor governamental não realiza a real implementação dessa para toda a população e, assim, fragiliza o artigo sexto da Constituição Federal que diz que a saúde é um direito de todos. Nesse sentido, é lamentável que apenas a população que tenha conexão com a internet tenha contato com a telemedicina. Dessa maneira, os demais são obrigados a quebrar o isolamento social para que seja possível conseguir atendimento médico. Sendo assim, reafirma-se a irresponsabilidade estatal ao ferir a Constituição Federal e não gerar suporte para que todos acessem a medicina virtual.

Entende-se, portanto, diante do debate em destaque, que é necessário a atuação interventiva. Em vista disso, o Estado, mais especificamente  o Ministério da Cidadania, deverá promover a campanha “Conhecendo a telemedicina” por meio da contratação de funcionários através de concursos. Posto isso, essas pessoas serão responsáveis por realizar palestras para a população em geral, sendo elas, em espaços de convivência como, por exemplo, em praças, para que, dessa forma, o conservadorismo social seja minimizado e o melhor posicionamento crítico seja tomado pelas pessoas. Além disso, promover a difusão do suporte tecnológico que possibilite a conexão com a ferramenta em discussão. Sendo assim, promover a sua real implementação.