Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 07/12/2020

É certo que a pandemia da coronavírus levou a diversas mudanças sociais, sobretudo no campo da saúde, com ampla introdução da telemedicina em caráter emergencial. A partir disso, é fundamental discutir a implementação dessa modalidade de forma geral, uma vez que ela possui benefícios- rapidez e facilidades- e desafios- impossibilidade de alcançar indivíduos que não possuem internet, sobretudo. Logo, o governo precisa amenizar os obstáculos que dificultam o acesso à ferramenta em pauta.

A princípio, a implantação da telemedicina é benéfica, uma vez que ela possibilita atendimento a pessoas que vivem em regiões remotas, onde a densidade médica é baixa. Nesse cenário, vale citar que, de acordo com dados veiculados pela demografia médica em 2018, há apenas cerca de 1,3 médicos a cada 1000 habitantes nas cidades do interior. Assim, a implantação da telemedicina nessas áreas possibilita o atendimento médico remotamente. Ademais, outra vantagem é a diminuição do tempo de espera em filas nos hospitais para atendimentos simples, além da redução dos deslocamentos para apresentação de exames já requisitados pelos médicos. Dificuldades no atendimento são preocupantes, uma vez que muitas pessoas deixam de buscar as consultas pelos obstáculos até apresentados até consegui-las. Em suma, a telemedicina precisa ser efetivamente regulamentada e introduzida, a fim de que beneficie grande parte da população.

Porém, ainda há desafios para que ela seja amplamente implementada, sobretudo a exclusão digital, a qual impede que muitos brasileiro alcancem a telemedicina por não terem conexão com  a internet- cerca de 30% dos brasileiros, segundo o IBGE em 2018. Esse quadro prejudica, então, o acesso à saúde, o que vai de encontro a Constituição Federal de 1988, pois ela garante tal o direito em questão. Destarte, afirma-se que os indivíduos excluídos digitalmente, por encontrarem dificuldades em serem contemplados por uma modalidade de atendimento que facilita os cuidados médicos, são cidadãos de papel. Tal termo foi cunhado pelo jornalista Gilberto Dimenstein para se referir aos indivíduos os quais possuem seus direitos garantidos apenas no plano teórico e não prático. Em síntese, a exclusão digital deve ser amenizada para facilitar o acesso à saúde prevista na Constituição.

Portanto, o Governo deve implementar políticas públicas voltadas para o amplo alcance da telemedicina no Brasil. Isso pode ser feito por meio do destino de verbas públicas para um programa de instalação de internet em residências que carecem do serviço, além da distribuição de um auxílio voltado para compra de equipamentos eletrônicos e permanência da rede nas casas. Objetiva-se retirar muitos indivíduos da condição de cidadãos de papel, de modo que sejam contemplados pelos diversos benefícios proporcionados pela telemedicina em um período não apenas pandêmico.