Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 06/12/2020

Na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Essa síntese do pensamento do filósofo francês Michel Foucault pode representar facilmente a falta de debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil, já que é justamente a lacuna em torno dessa situação que a naturaliza enquanto problemática na sociedade que se enrijece a partir da cristalização dos espaços de poder. Nesse sentido, essa vicissitude tem origem inegável na negligência estatal que não promove a efetivação do atendimento virtual a população. Dessa forma, entre os assuntos que aprofundam essa realidade estão a carência estrutural e a falibilidade educacional.

Constata-se, a princípio, que a carência infraestrutural, aliada à negligência governamental, alicerça a permanência da falta de debate sobre a  implementação da medicina virtual no Brasil. Isso se deve ao fato de que o Estado, na figura de seus representantes políticos, não disponibiliza verbas para projetos aplicáveis  que possam mudar a  realidade social, já que governam para uma minoria que controla toda a maquinaria política. Isso tem como desdobramento a falta da aplicabilidade da telemedicina no país, tendo em vista que não há investimentos nessa área que possam levar o atendimento médico além das estruturas físicas da saúde. Ilustra-se essa realidade por meio dos dados divulgados pelo Jornal Nacional, os quais ratificam a ineficácia de investimentos na telemedicina no Brasil.

Ademais, fica claro que a educação falha, em conjunto a negligência estatal, enraíza a escassez do debate sobre a  implementação da telemedicina no Brasil. Isso ocorre, pois o Estado tornou a educação meramente conteudista, fazendo com que as matérias do currículo mínimo sejam priorizadas em detrimento à realidade social. Desse modo, pelo fato dos cidadãos não terem acesso, desde a sua educação básica, à telemedicina, não realizam a consulta por falta de informação. Esse pensamento é semelhante ao representado pelo educador brasileiro Paulo Freire, em ‘‘Pedagogia do Oprimido’’, o qual ratifica que a educação perdeu a sua função de integração do indivíduo com a sociedade, tendo em vista que ele não têm acesso ao conhecimento sobre a realidade da telemedicina  do país.

Pode-se inferir, portanto, que a falta de debate sobre a implementação da telemedicina é fruto inquestionável da negligência estatal. Dessa maneira, a sociedade civil organizada deve pressionar o governo, a partir de ação civil pública, para que ele atue por meio do Plano Nacional do Incentivo a Implementação da Telemedicina que disponha ao Congresso a elaboração de leis de liberação de verba para o Ministério da Saúde investir nessa área tecnológica, com o intuito de promover maior atendimento aos cidadãos. Além disso, o Plano deve incluir na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a matéria ‘‘Medicina Tecnológica’’ para se distanciar do silenciamento expresso pelo Foucault.