Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 18/12/2020
Hipócrates, médico grego, defendia que a medicina deveria ser universal, ou seja, todos deveriam ter acesso aos tratamentos de saúde. Nesse aspecto, tem-se a implementação da telemedicina no Brasil como uma aliada na democratização da saúde, visto o seu elevado potencial, e, em virtude disso, medidas são necessárias para mitigar os entraves recorrentes. Ademais, a falta de conhecimento sobre o assunto e a inacessibilidade de todos os cidadãos à internet são barreiras da situação.
Em primeiro plano, é preciso destacar a incompreensão do serviço como um óbice nesse cenário, pois gera dificuldade na implementação da telemedicina. Nesse âmbito, exemplo disso foi a Revolta da Vacina, no século XX, na qual os cidadãos não aderiram à campanha da vacinação, em razão da falta de conhecimento sobre os seus benefícios, bem como pela carência de explicação por parte dos oficiais sobre a importância do antivírus. Similarmente, apesar da distância temporal, é evidente que a falta de informação sobre a medicina online, decorrente do fato do serviço ser pouco conhecido pelos brasileiros, provoca desinteresse na população em aderir a novidade no país, sobretudo por se tratar da saúde pública, tema tão pertinente para a sociedade. Por conseguinte, a baixa compreensão da comunidade civil atrapalha o êxito dos serviços de saúde a distância, como ocorreu no século XX.
Além disso, a inacessibilidade da totalidade da população à internet é outro impasse recorrente, porque impossibilita que todos façam pleno uso do recurso, dado que esse é mediado pela tecnologia. Nesse viés, segundo o IBGE, em 2018 um quarto da população com dez anos ou mais não tinha acesso à internet. Nessa perspectiva, esse número significativo de indivíduos torna indubitável que nem todos os cidadãos poderão utilizar a telemedicina devido à falta de renda para adquirir uma rede móvel ou fixa de internet, sobretudo se tratando dos cidadãos carentes e marginalizados, fator que inviabiliza que o serviço seja democrático e ecumênico, como almejado por Hipócrates. Dessa forma, é substancial intervenção estatal para atenuar a problemática apontada e universalizar o acesso ao serviço.
Depreende-se, portanto, que a implantação da telemedicina no Brasil é uma circunstância pertinente carecedora de soluções. Logo, cabe ao Ministério da Saúde –órgão responsável por promover o bem-estar da população- transmitir informações sobre a telemedicina, por meio de rádios e programas de televisão, a fim de que os cidadãos tenham conhecimento sobre o serviço. Outrossim, o Governo Federal deve criar uma rede gratuita de internet - que deve ser implantada em todas as cidades brasileiras-, por meio de recurso público, com o intuito de que todos possam ter acesso à assistência médica online. Somente assim, poder-se-á erradicar esses obstáculos da sociedade.