Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil
Enviada em 07/12/2020
Em abril de 2020 foi sancionada pelo então presidente da república, Jair Bolsonaro, a lei que autoriza o uso da telemedicina no Brasil enquanto o país estiver enfrentando a crise provocada pelo coronavírus. Nesse aspecto, apesar desse atendimento não consolidar o contato entre médico e paciente e limitar a avaliação deste, essa incorporação tecnológica à saúde é capaz de promover um acompanhamento eficiente e seguro, sobretudo neste período em que o isolamento social se faz tão necessário.
Dessa forma, segundo a médica e professora da Universidade de São Paulo, Cecília Prado, os atendimentos a distância impossibilitam a importante observação física do paciente, visto que o médico não tem a possibilidade de tocar e visualizar detalhes que a pessoa não é capaz de explicar com eficácia. Além disso, nem todos têm acesso às tecnologias necessárias para que o atendimento seja realizado, como internet de qualidade e aparelhos eletrônicos que permitam a realização da consulta audiovisual, fazendo com que a análise fique comprometida.
No entanto, conforme um estudo com serviços de cuidados a distância para idosos realizado na Inglaterra, as consultas online reduziram em 15% as visitas de emergência e em 20% as admissões hospitalares. Assim, quando o indivíduo já realizou consulta física prévia e o médico já possui conhecimento de seu histórico, a telemedicina é eficiente, segura e evita aglomerações em clínicas e hospitais e a possível contaminação pelo coronavírus neste período pandêmico. Adicionalmente, o valor da consulta se torna mais acessível e possibilita que o paciente realize um acompanhamento médico periódico gastando muito menos.
Portanto, com vistas a garantir que os médicos estejam de fato preparados para trabalhar com a telemedicina e atender os pacientes de forma responsável, é necessário que o Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com o Ministério da Saúde, promova cursos de capacitação profissional, voltados para todos os profissionais da área no país. Isso deve ser feito por meio de congressos online – com o objetivo de viabilizar o distanciamento social e de evitar a disseminação da covid-19 – que emitam certificados e preparem esses profissionais para realizar atendimentos eficazes e seguros.