Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 07/12/2020

Com o advento da Quarta Revolução Industrial, houve a integração das relações sociais por meio da tecnologia. A partir disso, a telemedicina surge como forma de facilitar o acesso à saúde através da internet. Entretanto, essa não é totalmente implementada no Brasil por dois fatores principais: o conservadorismo social frente a desinformação e o baixo suporte dado, por parte do Estado, à efetivação dessa ferramenta. Logo, tal problemática é inconcebível e merece um olhar crítico.

A priori, o conservadorismo social apresenta-se como uma barreira para a aplicabilidade das consultas virtuais. Nessa perspectiva, é lamentável que diversas pessoas, ainda apegadas às formas tradicionais de saúde, opinem contra a atuação da telemedicina sem ao menos conhecê-la, o que pode ser confirmado pela Associação Paulista de Medicina, que afirma que 63% das pessoas contra essa ferramenta não a conhecem. Dessa forma, relaciona-se esse cenário ao pensamento do filósofo Platão que afirma que não é possível conhecer aquilo que se ignora, denotando-se, assim, que a ignorância da população, é um empecilho para conhecer a telemedicina e discutir, com embasamento sua implementação. Posto isso, é crucial analisar medidas que visem atenuar a insciência da esfera social.

A posteriori, a telemedicina se concretiza como uma alternativa de acesso à saúde, especialmente em situações adversas, como no caso de isolamento contra a Covid-19. Apesar disso, nota-se a fragilização do artigo 6 da Constituição Federal, que diz que a saúde é um direito de todos, visto que, a internet, ferramenta de acesso à medicina virtual, não é de domínio geral. Nesse sentido, é lamentável que apenas a população que tenha conexão com a internet, cerca de 60% dos brasileiros, segundo o IBGE, tenha contato com a telemedicina. Dessa maneira, os demais são obrigados a quebrar o isolamento social para conseguirem atendimento clínico presencial. Sendo assim, reafirma-se a irresponsabilidade estatal ao ferir a Constituição Federal e não gerar suporte para que todos possam acessar a medicina virtual.

Entende-se, portanto, diante do debate em destaque, que é necessário a atuação interventiva. Em vista disso, o Estado, mais especificamente o Ministério da Cidadania, deverá promover a campanha “Conhecendo a telemedicina” por meio da contratação de funcionários públicos através de concursos. Posto isso, essas pessoas serão responsáveis por realizar palestras para a população em geral, sendo elas, em espaços de convivência como, por exemplo, em praças para que, dessa forma, o conservadorismo social seja minimizado e o melhor posicionamento crítico seja tomado pelas pessoas ao conhecerem os benefícios da telemedicina. Sendo assim, promover a sua real implementação.