Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 07/12/2020

A Importância do Investimento Tecnológico

Plínio Marcos é um dramaturgo brasileiro que trouxe uma peça teatral chamada “A Navalha na Carne”, retratando a marginalização e a precarização da sociedade brasileira, especialmente dos corpos subalternos. Desse modo, cogitar pensar em uma implementação da telemedicina no Brasil é excluir grande parte da população, visto que muitas pessoas não têm acesso à internet, desse modo, a implementação da telemedicina no Brasil seria contra a Constituição e contra os Dieritos Humanos, pois seria uma forma excludente de atendimento à saúde.

Em um primeiro plano, vale destacar a necessidade de que o Estado seja inclusivo com os corpos presentes em nossa sociedade diversificada, tendo como base o Artigo 6 da Constituição Federal que assegura saúde, educação e proteção para todo cidadão brasileiro. Tendo isso em mente, o debate de uma possibilidade utópica de implementar a telemedicina ataca diretamente a democracia, fazendo assim com que o debate deva ser sobre os possíveis caminhos para a democratização da medicina, para que um dia a telemedicina seja possibilidade.

Ademais, vale salientar que o Estado deve implementar uma democratização da saúde de forma digna. Apesar de no Brasil existir o Sistema Único de Saúde, a manutenção é precária, os hospitais púbicos têm equipamentos ultrapassados e muitos pacientes têm o atendimento negligenciado, como por exemplo uma criança de dois anos que faleceu depois de ter o atendimento negado em uma Unidade de Pronto Atendimento, em Itabuna. Essa negligência é reflexo de uma elitização da saúde, visto que isso não ocorreria em hospitais particulares.

Torna-se claro, portanto, que, o contexto socioeconômico que o Brasil se encontra e com a precarização do SUS, a implementação da telemedicina se torna possível apenas com questões antecedentes resolvidas. O Estado deve primeiro democratizar a saúde de forma digna para todos, além de garantir que todos cidadãos tenham acesso à internet, por meio do investimento em tecnologia de comunicação, para que as consultas sejam possíveis nos meios mais remotos possíveis, como no interior nordestino ou na região norte do país, onde a população sofre de um atraso tecnológico proveniente da negligência do Estado. Resultando assim, eum uma sociedade onde a implementação da telemedicina seja possível e democrática por não ser excludente.