Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas suficientes ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário do debate sobre a telemedicina no Brasil: uma inércia que perdura em detrimento dos benefícios proporcionados a população, além da escassa estrutura de hospitais para sua efetiva implementação. Dessa forma, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que a telemedicina se caracteriza pela realização de consultas médicas onlines, por meio de computadores e/ou celulares. Ademais, de acordo com o escritor austríaco Stefan Zweig, em sua obra “Brasil, o País do Futuro”, grandes mudanças tecnológicas e sociais seriam efetivadas na nação. Tal prerrogativa é evidenciada atualmente com o advento da internet, que oferece extrema praticidade e rapidez, o que corrobora na eficiência da telemedicina por alcançar diversos estratos sociais e cidades carentes de profissionais da saúde. Isto posto, atendimentos hospitalares que demorariam para serem realizados, são efetuados com mais agilidade, promovendo o diagnóstico e tratamento de enfermidades mais precocemente, além de fomentar na redução acentuada de pacientes nos hospitais.

Não obstante, sob outro prisma, faz mister salientar a falta de equipamentos necessários como impasse. Outrossim, Brás Cubas, o defunto autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Possivelmente, hoje, ele perceberia quão certeira foi sua decisão: o panorama vigente frente à negligência estatal para com a execução da telemedicina é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Aprofundando mais, é corriqueiro evidenciar a ausência de aparatos hospitalares para a realização das consultas onlines, como computadores e internet de qualidade, refletindo no despreparo dos profissionais da saúde ante à contemporânea realidade vivida pela Medicina brasileira.

Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Dessa forma, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, deve propagar a efetivação da telemedicina, por intermédio da implementação de internet e distribuição de notebooks em hospitais que necessitam de tais recursos, para romper os impasses discorridos, a fim de promover a integração do corpo social. Somente assim, alcançar-se-á uma população mais saúdavel e tecnológica, pois como referido por Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.