Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 08/12/2020

Um olhar atento lançado sobre os estudos de Theodor Adorno e sua obra “Dialética do Esclarecimento”, defende-se um projeto de libertação do homem da opressão e massificação, através de uma ampla formação humanística. Para o filósofo alemão, o homem deve caminhar na direção de uma consciência crítica baseada na dignidade e respeito às diferenças.  Considerando essa perspectiva na análise da conjuntura atual, temos a questão do debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil, o que revela como a sociedade hodierna ainda tem uma longa trajetória para se atingir um mundo social mais equilibrado.

Em primeira análise, pode-se dizer que as ações dos indivíduos são orientadas para cumprir seu papel no funcionamento da máquina social em busca do bem estar coletivo. Por conseguinte, surge a telemedicina, como um complemento da medicina atual, de modo que a mesma garante maior facilidade no acesso à saúde, por meio da tecnologia digital. No entanto, há diversas entraves para sua efetivação, como o não conhecimento, devido a falta de divulgação acerca da telemedicina por grande parte da população, o que gera o medo e preocupação sobre sua eficiência e segurança.

Desse modo, torna-se evidente, devido a pandemia causada pelo coronavírus, a extrema importância da telemedicina na promoção de diagnósticos como um complemento para os médicos, de modo que a Lei nº 13989, que diz respeito à disponibilização da telemedicina durante a crise atual, foi sancionada. Nesse hiato, pacientes podem ser “descartados” virtualmente, por meio da tecnologia digital, como de alto risco de terem se contaminado com o vírus da covid-19. Sendo assim, haveria a diminuição da superlotação de pessoas em ambientes de alta contaminação, como hospitais, o que torna-se necessário.

Feita essa análise, depreende-se a necessidade de ações que promovam o bem estar coletivo. Sendo assim, é necessário que a educação, como instrumento de metamorfose social, atue conjuntamente à escolas e associações de bairro, promovendo palestras e debates acerca da importância da telemedicina na atualidade, de modo a promover maior consciência crítica. Ademais, faz-se necessário que o estado, como gestor social, atue na disponibilização dos recursos de tecnologia para a telemedicina, de modo a promover menor desigualdade no acesso aos recursos oferecidos. Somente assim, a reflexão proposta por Theodor Adorno, poderá guiar os passos humanos na direção de um mundo mais justo e ético.